ESG, Impacto Positivo e suas diferenças.

Nos últimos anos os temas ESG e Gerar Impacto Positivo vêm ganhando força em todos os meios, e a pandemia do coronavírus deu uma acelerada no quão ouvimos falar sobre isso. Estes temas ganharam importância em todos os meios: academia, governo, setor produtivo, investidores, mídia, e por aí vai.

E, para lembrarmos, ESG é uma sigla que corresponde a três frentes de ação: Ambiental, Social e Governança, assim, no português, ela é representada como ASG. Também podemos dizer que é possível o ESG assumir algumas variações quando falamos em uma empresa adotar uma agenda ESG e sobre fundos de investimento ESG.

No entanto, antes de seguir falando sobre ESG e suas variações, precisamos entender o que é gerar impacto positivo, e com isso o que são projetos de impacto positivo e negócios de impacto positivo.

Beto Scretas, consultor e coordenador de investimentos de impacto do ICE, pontuou: “Crescentemente, o impacto estará no centro das decisões de investimentos de pessoas, pois não há modelo econômico possível que não considere as pessoas e o planeta como o foco central das nossas ações”.

Podemos assumir que não é mais possível termos um modelo econômico que não seja baseado em gerar impacto positivo.

E pode-se gerar impacto positivo através de ações de impacto. Normalmente as empresas adotam essas ações através de projetos, o que difere de uma empresa ter uma agenda ESG. Também é possível gerar impacto positivo através dos negócios de impacto. E nós, indivíduos, podemos gerar impacto positivo através de ações do nosso dia a dia.

Em se tratando de negócios de impacto, falamos em negócios com produtos ou serviços que nasceram para resolver um problema da nossa sociedade. Lembrando aqui, que problemas ambientais também são problemas da sociedade.

Um negócio de impacto gera impacto positivo direto, naquele problema que ele quer resolver, e é muito comum que ele gere impacto positivo indireto em outros problemas. Um exemplo de negócio de impacto: gerar biocombustível através de resíduos orgânicos. Outro exemplo: Uma consultoria de inovação social que trabalha a inclusão e diversidade nas empresas. Empresa que fabrica tijolo de plástico reciclado para a construção civil, também é um exemplo de negócio de impacto.

Já, uma empresa, essa desenvolve um projeto de impacto. Esse projeto segue a mesma linha de resolver um problema da sociedade. Esse projeto, idealmente seria relacionando a seu produto ou serviço, uma vez que é dessa produção que as empresas geram impactos negativos. Um exemplo: um projeto de reflorestamento de áreas nativas devastadas pela empresa. Ou, um projeto para determinada empresa adotar somente energia solar ou eólica, ajudando na matriz de energia renovável e limpa.

E o que difere a adoção de uma Agenda ESG e ter um projeto de Impacto Positivo para uma empresa?

A empresa que adota e desenvolve projetos de impacto positivo, está minimizando os impactos negativos que ela gera com sua produção.

Já, quando falamos em adotar uma agenda ESG, falamos na empresa ter ações práticas e claras no dia a dia da empresa que são relacionadas ao Ambiental, Social e de Governança da empresa. Sim, a empresa precisa atacar as três frentes.

Hoje, no Brasil e no mundo, vemos muitas ações ligadas aos E (Ambiental), principalmente relacionadas à diminuição da emissão de carbono na atmosfera. Precisamos intensificar outras ações na linha do ambiental, como redução da exploração de matéria prima, investimento em eficiência energética, entre outros.

E aos poucos vemos surgir ações concretas na linha do S e do G também.  Mas, o que seriam essas ações?

Essas ações, quando relacionamos o Social, falamos em bem estar, promoção da inclusão e da diversidade, relacionamento saudável e justo com a comunidade externa. Já para a Governança, temos exemplos de ações como a transparência das informações, política de remuneração de conhecimento comum a todos, ética, transparência em todas as ações e indicadores.

Os investimentos ESG, o que são?

Aqui precisamos da avaliação das agências de investimento/financeiras e também da avaliação do investidor. Um investimento, para ser considerado ESS, tem base nos pilares Ambiental, Social e de Governança e está ligado a empresas que tenham essa agenda. Não é possível um investimento ser ESG, se a empresa que está por trás dele não adota políticas que trazem retorno ambiental, social e que tem uma política de governança ética, transparente e com diversidade e inclusão.

No entanto, é comum achar que existem poucos investimentos ESG e que eles dão retorno menor que os investimentos tradicionais. Mas é possível e certo falar que essa é uma afirmação errada.

Como mostra o estudo da financeira Morningstar apontou mais de 500 fundos de investimento  focados em sustentabilidade, num montante de aproximadamente 250 bilhões de dólares, em agosto de 2020.

Aqui no Brasil, percebeu um crescimento no ano de 2020 de 65% no número de fundos ESG e estudos da Valor Econômico mostram que 95% dos índices de investimento ESG performaram melhor em 2020 dos que não adotam esses critérios.

Realmente, a Era do Impacto chegou.

Uma economia sem ser baseada no impacto positivo, não é mais viável.

Licia Mesquita
Licia Mesquita
Licia Mesquita é uma facilitadora. Seu propósito é ajudar empresas a transformarem seu negócio, e a pessoas a recriarem suas carreiras. A ideia é descomplicar a sustentabilidade.

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