Quando falamos sobre autismo, muitas pessoas ainda pensam apenas no diagnóstico. Mas, para as famílias, o maior desafio começa justamente depois dele. É nesse momento que surgem as buscas por terapias, acompanhamento especializado, adaptação da rotina, inclusão escolar e acolhimento emocional. E é também aí que a sociedade pode fazer uma enorme diferença.
Segundo dados divulgados pelo IBGE em 2025, com base no Censo Demográfico 2022, o Brasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com transtorno do espectro autista (TEA), o equivalente a 1,2% da população. O aumento dos diagnósticos trouxe mais visibilidade para o tema, mas ainda estamos longe de ter uma sociedade plenamente preparada para acolher essas crianças e suas famílias de forma respeitosa e inclusiva.
Muitas vezes, as pessoas acreditam que ajudar uma criança com autismo depende apenas de apoio financeiro. Claro que ele é importante, especialmente para instituições e famílias que enfrentam custos elevados com terapias e tratamentos. Mas existem muitas outras formas de contribuir. Informar-se sobre o transtorno, respeitar o tempo e os limites da criança, evitar julgamentos e acolher as famílias nos espaços públicos já representam atitudes extremamente valiosas.
Na Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes), convivemos diariamente com famílias que chegam emocionalmente sobrecarregadas, tentando reorganizar toda a vida após o diagnóstico. Nosso trabalho vai além do atendimento especializado. Oferecemos acolhimento, orientação familiar, suporte multiprofissional e atividades que ajudam no desenvolvimento e na inclusão social das crianças e adolescentes atendidos. Também promovemos ações educativas e campanhas de conscientização, porque entendemos que a informação é uma ferramenta importante no combate ao preconceito.
Outro ponto que considero essencial é lembrar que nenhuma pessoa com autismo é igual à outra. Cada criança possui necessidades, formas de comunicação e sensibilidades diferentes. Por isso, inclusão também significa compreender essas individualidades e construir ambientes mais acessíveis, empáticos e humanos.
Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) mostram que a identificação do autismo vem aumentando em diferentes países nos últimos anos. Isso também amplia a necessidade de fortalecer serviços especializados e instituições que atuam diretamente no suporte às famílias.
Acredito que a inclusão começa nas pequenas atitudes do cotidiano. Quando uma família se sente acolhida em uma escola, em um restaurante, em um evento ou em qualquer espaço social, ela entende que não está sozinha. E esse sentimento faz toda a diferença. Mais do que falar sobre inclusão, precisamos praticá-la diariamente.
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