Advogado amigo de Flávio Bolsonaro e investigado pela PF já defendeu Casagrande

O advogado Willer Tomaz, conhecido pela proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL), já atuou na defesa do ex-governador do Espírito Santo Renato Casagrande em uma denúncia apresentada pelo então prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, em 2022. Atualmente, Tomaz é alvo de investigações da Polícia Federal (PF) que apuram suspeitas de crimes financeiros, movimentações milionárias e possíveis negócios envolvendo o parlamentar.

A atuação do advogado na defesa de Casagrande ocorreu após Pazolini levar à Polícia Federal uma denúncia sobre uma suposta tentativa de envolvimento de uma autoridade estadual em um esquema de fraude em licitação de uma obra na Capital. Como o caso mencionava o então governador, que tinha foro privilegiado, os documentos foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em novembro de 2022, a PGR arquivou a notícia de fato por não encontrar elementos suficientes para comprovar as alegações. Na ocasião, Tomaz afirmou que os fatos apresentados por Pazolini eram vagos e contraditórios. O advogado também declarou que avaliava, junto com Casagrande, a possibilidade de processar o então prefeito por denunciação caluniosa.

Quatro anos depois, o nome de Tomaz voltou a ganhar destaque no noticiário nacional por sua relação com Flávio Bolsonaro e por investigações que envolvem suas atividades empresariais e movimentações financeiras.

Amizade e negócios com Flávio Bolsonaro

A aproximação entre Tomaz e Flávio Bolsonaro é apontada desde 2019. Em 2021, durante a CPI da Covid, o senador se referiu publicamente ao advogado como amigo. Desde então, reportagens identificaram viagens internacionais realizadas pelos dois e por familiares, além de conexões empresariais e financeiras.

Em outubro de 2026, a Polícia Federal abriu um inquérito para apurar suspeitas de crimes financeiros envolvendo o senador e o advogado. A investigação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Entre os pontos apurados estão a possível existência de uma conta bancária compartilhada, movimentações envolvendo empresas no exterior e a suspeita de que Flávio Bolsonaro seja sócio oculto de uma empresa ligada à plataforma de apostas BestBet.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, a PF identificou que o senador tinha acesso de usuário master a uma conta da Alcazar Holdings, empresa de Tomaz registrada na Ilha da Madeira, em Portugal. A companhia tem conexões com a estrutura empresarial que controla a Rede Loto e a plataforma de apostas.

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam irregularidades e afirmam que mantêm uma relação de amizade, sem sociedade empresarial entre eles.

Em 23 de outubro, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens do advogado, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial, suspensão dos passaportes e paralisação das atividades econômicas de suas empresas.

Advogado amigo de Flávio Bolsonaro e investigado pela PF já defendeu Casagrande
O advogado Willer Tomaz ao lado de Flávio Bolsonaro (PL) | Crédito: Reprodução/Redes sociais

Disputa por imóvel com Richarlison

Outro episódio que colocou Tomaz no noticiário envolve uma propriedade em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, disputada pelo advogado e pelo jogador da Seleção Brasileira Richarlison.

O atleta afirma que adquiriu os direitos de ocupação do imóvel em 2020 e acusa Tomaz e Flávio Bolsonaro de terem tomado o local depois que ele se recusou a negociar a propriedade.

A área, conhecida como Ilha Comprida, envolve direitos de ocupação em território pertencente à União. Tomaz sustenta que adquiriu legalmente os direitos sobre o terreno e afirma ter desembolsado R$ 5 milhões para regularizar pendências relacionadas ao imóvel. Segundo ele, Richarlison comprou direitos de antigos ocupantes, e não da proprietária legítima.

A controvérsia também chegou ao Ministério Público Federal, onde foram apresentados pedidos de investigação sobre possíveis irregularidades na negociação. As alegações ainda precisam ser analisadas pelas autoridades.

Advogado amigo de Flávio Bolsonaro e investigado pela PF já defendeu Casagrande
Foto: reprodução

Investigação sobre fraudes no INSS

Tomaz também foi alvo de mandado de busca e apreensão em agosto de 2026, durante uma nova fase da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos associativos sobre benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A investigação envolve o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e apura suspeitas de lavagem de dinheiro. Segundo informações da Polícia Federal apresentadas ao STF, empresas ligadas ao advogado teriam realizado transferências milionárias para pessoas próximas ao parlamentar.

Entre os pontos levantados pelos investigadores estão repasses superiores a R$ 11 milhões à mulher do senador e a compra de um imóvel de R$ 6 milhões, em Brasília, por uma empresa ligada a Tomaz, onde Weverton reside.

O advogado negou envolvimento com as fraudes previdenciárias. Ele afirmou que os valores mencionados correspondiam a serviços advocatícios e que a aeronave disponibilizada ao senador foi cedida por amizade.

Prisão em investigação ligada à JBS

O histórico de investigações envolvendo Tomaz inclui ainda uma prisão em maio de 2017, durante a Operação Patmos, deflagrada a partir de informações fornecidas por executivos da JBS.

Na ocasião, o advogado foi investigado sob suspeita de intermediar pagamentos para obter informações sigilosas relacionadas à Operação Greenfield, que apurava fraudes em fundos de pensão.

Tomaz foi solto pelo Supremo Tribunal Federal em agosto daquele ano. Reportagens publicadas à época também registraram que ele chegou a ser denunciado no caso.

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