Embora os corredores do Palácio Domingos Martins ainda registrem movimentações tímidas, os bastidores da disputa pela futura Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) já começaram. O xadrez político, entretanto, só ganhará contornos definitivos a partir da próxima segunda-feira, 26 de outubro — data em que o eleitorado capixaba, após as urnas de domingo (25), já saberá quem ocupará o Palácio Anchieta a partir de 2027.
Dada como altamente provável a eleição de Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao governo do Estado — conforme apontam as mais recentes pesquisas de intenção de voto —, a corrida pela presidência do Legislativo já coloca nomes e velhos conhecidos em rota de colisão. Vale ressaltar que, ao lado de Pazolini tem um nome com bastante experiência no tema: o presidente do Republicanos-ES, Erick Musso ocupou a cadeira por 3 mandatos.
Na possibilidade de Ricardo Ferraço (MDB) ser reeleito, a lista é completamente diferente e, após um processo em que se viu abandonado por aliados, os espaços de negociação deverão ser reduzidos. O fato é que nenhum dos dois abrirá mão de atuar de perto na construção da próxima mesa diretora.
Aposta de Pazolini, obstáculo de Vitória
Quem pode ser que tenha queimado a largado nesse movimento é o vereador de Vitória Davi Esmael (Republicanos). Do mesmo partido de Pazolini e ex-presidente da Câmara da Capital, Esmael tenta projetar seu perfil gestor para alçar a cadeira mais cobiçada da Ales.
Entretanto, o seu próprio histórico na capital surge como um grande ruído e potencial dificultador. Entre a expressiva bancada de novatos, assumem em 2027 nomes como Karla Coser (PT) e Darcio Bracarense (PL). Ambos não guardam qualquer relação de proximidade com Esmael — ao contrário: Karla protagonizou embates ruidosos e trocas de farpas marcadas por forte desgaste institucional.
Entre os novatos, aliás, que formam a maioria da nova legislatura, a pulverização de opiniões é visível:
Ainda não há qualquer consenso interno quanto à sucessão do atual presidente, Marcelo Santos (União Brasil).
Um eleito confidenciou à coluna que, diante de um plenário tão renovado, apenas um veterano teria real peso político e traquejo para conduzir a Casa com a altivez necessária.
O mistério dos veteranos
Se entre os novatos o debate é disperso, entre os veteranos o assunto é ainda mais velado. Fabricio Gandini (Podemos) chegou a ter seu nome ventilado para o comando. No entanto, confirmando-se a vitória de Pazolini, a tese esbarra na história. Procurado, o parlamentar negou a possibilidade.
Gandini e Pazolini protagonizaram uma disputa feroz pela Prefeitura de Vitória em 2020, ocasião em que Gandini — então candidato do prefeito Luciano Rezende (Cidadania) — acabou derrotado ainda no primeiro turno. As cicatrizes políticas daquele embate tornam uma aliança para a presidência da Ales uma hipótese remota.
Alexandre Xambinho (Podemos) estaria correndo por fora, mas trilhando um caminho traçado por Marcelo Santos antes de chegar ao topo do Legislativo. Reeleito para o seu terceiro mandato, Xambinho preside atualmente a Comissão de Obras Públicas. Trata-se de uma vitrine análoga à antiga Comissão de Infraestrutura (Coinfra), por onde passam os grandes projetos de obras do Estado.
Foi justamente utilizando o tração da Coinfra e a bagagem de cinco mandatos que Marcelo Santos construiu as pontes municipalistas que o alçaram à presidência da Casa e foram fundamentais por sua vitória como deputado federal.
A composição da futura Mesa Diretora também dependerá da força dos blocos partidários:
O Bloco do PL: Embalado pela estrutura dada à campanha de Pazolini, o PL reelegeu nomes com forte apelo como Danilo Bahiense e Pastor Dinho. Já o Capitão Assumção só figurará em uma composição mais alinhada com o governo caso ocorra uma reviravolta e o eleito seja Ricardo Ferraço (MDB).
A Base Experiente: Nomes com longa rodagem na Casa — como Vandinho Leite (MDB), Hudson Leal (Agir), Raquel Lessa (Progressistas), Dary Pagung (PSB), Mazinho dos Anjos (MDB) e Janete de Sá (PSB) — sustentaram o projeto de reeleição e governabilidade do Estado e continuarão sendo peças determinantes para equilibrar o peso dos novatos.
Raio-X da Nova Assembleia (2027–2030)
Para acompanhar a correlação de forças na formação dos blocos, confira a lista oficial dos parlamentares eleitos e reeleitos:
Os eleitos em 2026 (por ordem de votação)
Pastor Dinho (PL)
Karla Coser (PT)
Thiago do Casal Policial (PL)
Darcio Bracarense (PL)
Açucena (PT)
Franco Fiorot (Podemos)
Dr. Vitor Louzada (PL)
Delegado Leandro Sperandio (Podemos)
Peter Costa (Progressistas)
Dr. Fernando Santorio (Progressistas)
Jeesala Coutinho (MDB)
Victor Coelho (PSB)
Davi Esmael (Republicanos)
Rodrigo da Cozivip (MDB)
Brizola Corteletti (Agir)
Julio da Fetaes (PT)
Os reeleitos em 2026 (por ordem de votação)
Camila Valadão (PSOL)
Capitão Assumção (PL)
Vandinho Leite (MDB)
Pablo Muribeca (Republicanos)
Mazinho dos Anjos (MDB)
Adilson Espíndula (Progressistas)
Janete de Sá (PSB)
Dary Pagung (PSB)
Raquel Lessa (Progressistas)
Alexandre Xambinho (Podemos)
Fabricio Gandini (Podemos)
Hudson Leal (Agir)
José Esmeraldo (União Brasil)
Danilo Bahiense (PL)










