Embora a advocacia do Espírito Santo só vá às urnas em novembro de 2027 para escolher a nova diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB-ES), a corrida eleitoral já movimenta os bastidores da instituição. Diferentes grupos iniciaram diálogos e articulações estratégicas para a formação de chapas, desenhando o cenário que disputará o comando da Ordem e da Caixa de Assistência dos Advogados (CAAES).
No centro das movimentações estão lideranças conhecidas do meio jurídico local, como a atual presidente da OAB-ES, Erica Neves, e a presidente da CAAES, Kelly Andrade – que de irmãs-parceiras se tornaram rivais. Paralelamente, nomes como João Batista Dallapiccolla, Igor Pinheiro de Santana e Alberto Nemer organizam frentes de diálogo na busca por composição política.
A engrenagem do pleito conta ainda com a atuação próxima de dois ex-presidentes: José Carlos Rizk Filho (ex-presidente da OAB-ES) e Ben-Hur Farina (ex-presidente da CAAES). Após um histórico de ruptura política que culminou em candidaturas opostas na última eleição — pleito vencido por Erica Neves —, Rizk Filho e Ben-Hur retomaram conversas formais sobre os rumos do próximo pleito e estimulam a disputa.
Apesar de não residir mais de forma permanente no Brasil, Rizk Filho mantém sua atuação na advocacia, com deslocamentos frequentes ao Estado. Eleitores e aliados ligados à sua trajetória, como Nemer e Pinheiro, são estimulados a concorrer (juntos ou separados? Não se sabe!) de olho no eleitorado conquistado pelo ex-presidente — equivalente a cerca de 32,5% dos votos (aproximadamente 5,6 mil eleitores) —, ao mesmo tempo em que buscam expandir o diálogo junto ao universo de quase 20 mil advogados aptos a votar no Espírito Santo. Para quem não sabe, Alberto Nemer foi secretário-geral e Igor Pinheiro foi conselheiro nas gestões anteriores.
Sem chapa, só movimentação
A atuação de José Carlos Rizk Filho deverá se restringir ao plano tático e à construção das alianças, sem a presença do seu nome na disputa por cargos na diretoria.
Por sua vez, Ben-Hur Farina tem intensificado interlocuções com diferentes atores da classe. Entre os caminhos em debate, ganha força o nome do advogado João Batista Dallapiccolla, profissional com mais de quatro décadas de atuação na advocacia privada e participante recente da disputa pelo Quinto Constitucional do Tribunal de Justiça (TJES). A eventual consolidação de uma candidatura encabeçada por Dallapiccolla já desponta com o apoio sinalizado por Ben-Hur e por setores que buscam uma alternativa fustigada por pautas corporativas.
No diagnóstico dos grupos que articulam a oposição e novas composições, a pauta da campanha tende a focar no cotidiano da advocacia militante. Entre os temas centrais apontados pelas lideranças em movimentação estão a morosidade do Poder Judiciário, o impacto do fechamento de comarcas no interior do Estado, a defesa da manutenção de varas judiciais em municípios com estrutura política local e a revisão das regras de escolha do Quinto Constitucional, defendendo maior autonomia do voto direto da classe nas listas enviadas aos tribunais.
Com o horizonte fixado em 2027, as conversas iniciais indicam um cenário de realinhamento de forças, em que antigos opositores e novos atores buscam denominadores comuns para estruturar as chapas que concorrerão à seccional capixaba.











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