Chegou o momento decisivo para os três principais candidatos ao governo do ES. O governador Ricardo Ferraço (MDB), que busca a reeleição, Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Helder Salomão (PT) têm missões distintas, mas perseguem o mesmo objetivo: comandar o Executivo estadual a partir do ano que vem.
Comecemos por aquele que tem menores possibilidades. Apesar de manter um discurso otimista, Helder tem ciência de que sua candidatura, de altíssima fidelidade, também visa estruturar um palanque para a reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fortalecer a sigla para que Fabiano Contarato (PT) tenha chances de permanecer no Senado e, ainda, catapultar as candidaturas proporcionais à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa.
Atualmente, as pesquisas de intenção de voto indicam que o petista pode ficar fora do segundo turno. Mas isso não significa, necessariamente, uma derrota. A depender do resultado nas urnas, considerando principalmente a guinada do Espírito Santo em direção a um movimento de centro-direita, Helder pode se tornar um ativo importante para o segundo turno, além de seguir como cabo eleitoral de Lula.
Futuro político
Soma-se a isso o futuro político do deputado federal. Em 2022, ele foi o mais votado do Espírito Santo para a Câmara dos Deputados. Isso não pode ser desprezado. Assim, o desempenho nesta eleição pode influenciar seus planos para 2028, quando haverá eleições municipais, e também para 2030.
Quanto a Pazolini, o republicano vem rivalizando com Ricardo na batalha pela liderança das intenções de voto. O ex-prefeito da Capital tem uma legião menor de partidos em sua barca e conta com o PL, do senador Magno Malta, como grande aliado. Uma aliança que rende questionamentos de um lado e elogios de outro.
Segundo levantamentos internos, o republicano vem alcançando seus melhores resultados na Região Metropolitana, mas patina no interior, onde o governo possui apoio maciço de prefeitos e lideranças políticas.
Cabe agora a Pazolini demonstrar que não é apenas um político de Vitória, cidade citada a cada fala do candidato. A Capital possui um orçamento robusto para um município de seu tamanho, e seus desafios são bem diferentes daqueles enfrentados, por exemplo, por Mucurici, Ponto Belo, Linhares ou Ibatiba. Demonstrar que conhece essas diferentes realidades e que possui capilaridade política e sensibilidade para compreender as demandas de todo o Espírito Santo é uma missão que ainda precisa cumprir.
Continuidade é política envelhecida?
Quanto a Ricardo, sua missão é fazer valer as vantagens de ter a máquina na mão e os meios para apresentar o projeto político do qual faz parte não como algo envelhecido, mas como a continuidade das boas ações realizadas ao longo da gestão de Renato Casagrande (PSB).
O emedebista e seu grupo vêm dando sinais de que as atitudes de Pazolini incomodam. Não é por acaso que a escalada dos embates se intensificou. O candidato à reeleição vem se desdobrando em ações para mostrar que seu governo é eficiente. Mas, como está na vitrine, também se torna alvo dos ataques dos rivais.
Por fim, Ricardo ainda tem a missão de exorcizar qualquer fantasma relacionado ao seu governo e provar que pode vencer este pleito. Não foram poucas as vezes em que foi colocado em xeque pelos adversários. Sair triunfante das urnas seria uma forma de demonstrar a força de seu projeto político e de responder àqueles que o questionaram.
Muitas missões, os dias passando e as urnas que vão dar o recado.










