Da Ásia à nossa mesa: a viagem milenar da banana

Ela vai na vitamina, acompanha o arroz e feijão, vira farofa, bolo, doce, sorvete e até prato principal. Poucos ingredientes entraram tão profundamente na cozinha brasileira quanto a banana. E o Dia da Banana, celebrado em 22 de setembro, é uma boa desculpa para lembrar que a fruta mais cotidiana da nossa mesa carrega uma história de milhares de anos.

A origem da banana está ligada ao Sudeste Asiático e à região oeste do Pacífico. Evidências arqueológicas encontradas em Papua-Nova Guiné apontam para seu cultivo há cerca de 7 mil anos. Ao longo de milênios, populações selecionaram e propagaram plantas que davam frutos mais carnudos, saborosos e praticamente sem sementes, bem diferentes dos ancestrais selvagens.

A viagem da banana pelo mundo foi longa. Da Ásia e do Pacífico, diferentes variedades chegaram à Índia, à África e a outras regiões tropicais. No Brasil, a história também é antiga: registros reunidos pela Embrapa indicam que povos indígenas já cultivavam e consumiam banana quando os portugueses chegaram, em 1500.

Hoje, ela parece tão brasileira que é difícil imaginar nossas mesas sem banana-prata, nanica, maçã, ouro ou da terra. E talvez sua maior qualidade culinária seja justamente a versatilidade. A fruta passeia sem cerimônia entre o doce e o salgado.

Por isso, para comemorar a data, nada de sobremesa. Nossa banana vai para o forno ao lado do peixe, coberta por molho branco e queijo. É dia de peixe à delícia, daqueles pratos cremosos, dourados e feitos para chegar à mesa ainda borbulhando.

Peixe à delícia

Ingredientes

800 g de filé de peixe branco, como tilápia, pescada ou badejo
4 bananas-da-terra maduras, mas firmes
Suco de 1 limão
2 dentes de alho amassados
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Azeite para grelhar
1 cebola pequena picada
1 colher de sopa de manteiga
1 colher de sopa de farinha de trigo
500 ml de leite
Noz-moscada a gosto
200 g de muçarela
50 g de parmesão ralado
Cheiro-verde a gosto

Modo de fazer

Tempere os filés com limão, alho, sal e pimenta e deixe descansar por cerca de 15 minutos. Em uma frigideira com um fio de azeite, doure rapidamente o peixe dos dois lados. Não precisa cozinhar completamente, porque ele ainda irá ao forno.

Corte as bananas no sentido do comprimento e doure-as na mesma frigideira. Reserve.

Para o molho, derreta a manteiga e refogue a cebola até ficar transparente. Acrescente a farinha e mexa por cerca de um minuto. Junte o leite aos poucos, mexendo sempre para não empelotar. Tempere com sal, pimenta e uma pitada de noz-moscada e cozinhe até engrossar.

Em um refratário, coloque uma camada fina de molho, distribua os filés de peixe e acomode as bananas entre eles. Cubra com o restante do molho, espalhe a muçarela e finalize com o parmesão.

Leve ao forno preaquecido a 200 °C por aproximadamente 20 minutos ou até ficar bem gratinado. Finalize com cheiro-verde.

Sirva imediatamente, de preferência com arroz branco e uma salada simples. O contraste entre o peixe salgado, o molho cremoso, o queijo gratinado e o dulçor da banana explica por que essa combinação atravessou tantas mesas brasileiras.

E fica a moral gastronômica do Dia da Banana: uma fruta com milhares de anos de história não nasceu para passar a vida inteira dentro da fruteira.

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