Setembro em Flor: novas terapias ampliam opções de tratamento dos cânceres ginecológicos

Novas terapias têm ampliado as opções de tratamento para mulheres com cânceres ginecológicos, grupo que inclui tumores de ovário, endométrio, colo do útero, vulva e vagina. Os avanços são mais significativos, principalmente, em casos de doença avançada ou recorrente.

Entre as estratégias mais recentes estão a imunoterapia, as terapias-alvo e medicamentos desenvolvidos para agir sobre características específicas das células tumorais. O assunto ganha destaque durante o Setembro em Flor, campanha voltada à conscientização sobre prevenção, diagnóstico e tratamento dos cânceres ginecológicos.

Segundo a oncologista clínica Virgínia Altoé Sessa, do Hospital Santa Rita, o maior conhecimento sobre as características biológicas dos tumores tem permitido tratamentos mais individualizados.

“Hoje temos um conhecimento muito maior sobre as características biológicas dos tumores. Isso permite identificar alterações específicas e, em determinados casos, escolher medicamentos que atuam diretamente nesses alvos”, explica.

Uma das novas classes de medicamentos são os conjugados anticorpo-fármaco, conhecidos como ADCs. Eles combinam um anticorpo a uma substância capaz de destruir células cancerosas. O anticorpo reconhece determinadas características do tumor e direciona o medicamento até as células-alvo.

No câncer de ovário, por exemplo, o mirvetuximab soravtansine pode ser utilizado em pacientes selecionadas cujos tumores apresentam alta expressão do receptor de folato alfa, proteína encontrada na superfície de algumas células tumorais.

Para casos de câncer do colo do útero recorrente ou metastático, o tisotumab vedotin também passou a integrar as alternativas disponíveis após tratamentos anteriores. Já o trastuzumab deruxtecan pode ser indicado para determinados tumores sólidos com alta expressão da proteína HER2.

Outros medicamentos dessa classe continuam sendo estudados para cânceres de ovário, endométrio e colo do útero, inclusive em combinação com imunoterapia.

A imunoterapia também passou a ter papel importante em alguns cânceres ginecológicos. O tratamento estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerosas e pode trazer benefícios em casos específicos de câncer de endométrio e colo do útero.

A indicação depende, entre outros fatores, da presença de determinados biomarcadores no tumor.

“Duas pacientes com o mesmo tipo de câncer podem ter características diferentes no tumor e, consequentemente, indicações de tratamento diferentes. A análise dos biomarcadores é fundamental para essa decisão”, afirma Virgínia.

Outra linha de pesquisa combina imunoterapia, terapias-alvo, inibidores de PARP e conjugados anticorpo-fármaco. O objetivo é aumentar a resposta ao tratamento e prolongar o controle da doença, principalmente quando o câncer retorna ou deixa de responder às terapias convencionais.

Apesar dos avanços, as novas opções não substituem automaticamente os tratamentos já utilizados. A definição da terapia depende do tipo e do estágio do câncer, das características moleculares do tumor e das condições clínicas da paciente.

A detecção precoce continua sendo um dos principais fatores relacionados às chances de sucesso do tratamento.

Sinais que devem ser investigados

Entre os sintomas que podem exigir avaliação médica estão sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a menopausa, alterações persistentes no corrimento vaginal, dor pélvica ou abdominal, aumento do volume abdominal ou sensação frequente de estufamento.

Também merecem atenção alterações urinárias ou intestinais persistentes, além de coceira, feridas, mudanças de cor ou lesões na vulva que não desapareçam.

Esses sinais não significam necessariamente a presença de câncer, mas, quando persistentes, devem ser avaliados por um profissional de saúde.

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