Sarampo volta a avançar nas Américas e acende alerta para vacinação infantil

O avanço do sarampo nas Américas voltou a preocupar autoridades de saúde e reforçou o alerta para a atualização da vacinação, especialmente entre crianças. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 11 milhões de pessoas contraiam a doença em 2026.

Até 8 de agosto, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) havia confirmado 48.690 casos de sarampo em 17 países e territórios das Américas, número aproximadamente quatro vezes maior que o registrado no mesmo período de 2025. Guatemala, México, Estados Unidos e Canadá concentravam 97% das ocorrências, além de 51 mortes.

Segundo a OPAS, 2026 já apresenta o maior número de casos confirmados de sarampo na região em mais de duas décadas. O risco à saúde pública foi classificado como muito alto.

Brasil mantém certificação, mas registra casos

No Brasil, mais de 30 casos foram confirmados neste ano, a maioria em São Paulo. Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde paulista em 9 de setembro apontaram dois novos casos na capital, ambos em crianças menores de dois anos.

Apesar das ocorrências, o Brasil mantém a certificação de país livre da circulação endêmica do sarampo, recuperada em novembro de 2024. Casos importados ou relacionados à importação, no entanto, continuam sendo um risco.

A professora de Infectologia Janaína Teixeira explica que o aumento de casos em países com intenso fluxo de viajantes para o Brasil exige atenção.

“Existe o risco de uma pessoa contrair o vírus em um desses locais e trazê-lo para o nosso país. A vacinação é fundamental porque mantém a população protegida.”

Crianças pequenas estão entre as mais vulneráveis

O cenário preocupa principalmente pela incidência entre crianças. Segundo a OPAS, bebês com menos de um ano apresentam algumas das maiores taxas de ocorrência da doença nas Américas.

Cerca de dois terços dos casos analisados não tinham histórico documentado de vacinação.

No calendário de rotina, a vacina tríplice viral é aplicada em duas doses, aos 12 e aos 15 meses de idade. Em situações de surto ou maior risco de exposição, autoridades de saúde podem recomendar uma dose antecipada para bebês menores de um ano, conhecida como “dose zero”. Ela não substitui as doses previstas no calendário regular.

O sarampo é altamente contagioso e pode provocar complicações graves. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente uma em cada 20 crianças infectadas pode desenvolver pneumonia. Casos de encefalite também podem ocorrer.

Entre os sintomas estão febre alta, mal-estar, conjuntivite e manchas vermelhas pelo corpo, além de sinais semelhantes aos de uma infecção respiratória.

Quem deve tomar a vacina

A orientação é verificar a caderneta de vacinação e procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) caso existam doses atrasadas.

Crianças e jovens de 12 meses a 29 anos devem receber duas doses da tríplice viral. Pessoas de 30 a 59 anos devem receber uma dose. Trabalhadores da saúde devem receber duas doses, independentemente da idade.

A vacinação continua sendo a principal forma de evitar novos surtos e reduzir a circulação do vírus.

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas