A crise no grupo Apex Partners ganhou dados novos, entregue à Justiça pela defesa do ex-presidente do conglomerado financeiro, Fernando Cinelli. Ele foi destituído pelo conselho do grupo Apex em 6 de agosto, sendo responsabilizado por “incosistências financeiras”, que geraram a crise e um processo de Recuperação Judicial do Grupo Apex (nº 5038678-20.2026.8.08.0024). Em documento apresentado à Vara de Falências de Vitória nesta sexta-feira (4), além de pedir o desbloquio das contas, informou que Conselho de Administração já tinha ciência explícita de um passivo consolidado de R$ 618,7 milhões desde abril de 2026 — antes mesmo de votar e aprovar, sem contestação, as contas daquele exercício.
Fernando Antonio Kulnig Cinelli foi acusado de desvios que supostamente somariam R$ 23,2 milhões teve seus bens bloqueados pela Justiça em 18 de agosto, atendendo a um pedido de tutela de urgência feito pela própria administração de transição da Apex Partners S/A.
Contas aprovadas por unanimidade
A principal munição da defesa apresenta ilicitude como tese central: Cinelli juntou aos autos as atas oficiais de todas as Assembleias Gerais Ordinárias (AGOs) de 2021 a 2026. Os documentos provam que todas as contas, balanços e demonstrações financeiras da empresa entre 2020 e 2025 foram aprovadas por unanimidade e sem qualquer ressalva pelos próprios acionistas.
A defesa sustenta que a aprovação formal de contas dá quitação plena ao gestor. O argumento é direto: a nova administração não pode fabricar acusações de desvio com base na “não localização” de contratos em seus arquivos internos sobre exercícios que já foram auditados, aprovados e quitados formalmente pelo grupo.
Além disso, revelou-se que o Conselho de Administração já tinha ciência explícita de um passivo consolidado de R$ 618,7 milhões desde abril de 2026 — antes mesmo de votar e aprovar, sem contestação, as contas daquele exercício.
Dinheiro das ações CVC e Previdência
Para desmontar as acusações sobre os supostos repasses sem lastro, a defesa detalhou a destinação exata de cada operação:
Ações da CVC (CVCB3): O dinheiro cobriu chamadas de margem e liquidações operacionais travadas pelo próprio Bloco Apex/Carbyne (como uma liquidação a termo de R$ 4,64 milhões em julho de 2026). O bloco estava submetido a regras severas de lock-up por dois anos. Tratou-se de prejuízo decorrente da variação normal do mercado financeiro, e não de enriquecimento pessoal.
Fundo de Previdência (R$ 900 mil): Tratou-se de uma reorganização de caixa executada pela própria tesouraria da empresa para pagar resgates do plano de previdência corporativo dos colaboradores. O nome do ex-presidente figurou na operação apenas por exigência formal da seguradora.
“Jogo Sujo” documental
A defesa de Cinelli acusou a gestão interina de agir com má-fé ao cortar sumariamente todos os seus acessos a e-mails, servidores e livros contábeis desde agosto de 2026, cobrando explicações sobre dados aos quais só a própria Apex tem acesso.
Para piorar a situação da atual diretoria, relatórios da Administradora Judicial (Laspro Consultores) nos autos revelam que a própria Apex vem sonegando documentos à fiscalização da Justiça e cancelando auditorias técnicas.
Ações na Justiça
Invocando precedentes do STJ sobre a obrigatoriedade de quem detém os documentos apresentar as provas, Fernando Cinelli ajuizou Ação de Produção Antecipada de Provas e requereu:
A revogação imediata do bloqueio de bens e da quebra de sigilo bancário;
O rejeitamento do pedido de ampliação da penhora para R$ 23,2 milhões;
O acesso irrestrito a todas as provas e documentos entregues à Administradora Judicial, congelando os prazos de defesa até que a transparência seja reestabelecida.










