Um grupo de investidores e credores minoritários afetados pela crise do Grupo Apex decidiu cancelar a reunião pública que estava programada. O encontro estava sendo chamado de “Fórum Independente de Investidores Apex-Rhino”. A decisão foi tomada após os investidores serem informados por seu advogado, Lucas Pimenta Judice, de que a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Espírito Santo (OAB/ES), sinalizou que a simples realização do evento poderia dar ensejo a um processo administrativo disciplinar contra ele. A medida recaía sobre o profissional apesar de ele não ter tomado a iniciativa do evento, constando apenas o nome de sua sociedade no material convocatório como assessoria jurídica.
Em nota conjunta, os investidores expressaram extrema consternação com a postura da OAB/ES em um momento de total desproteção dos minoritários. Assinam o comunicado José Ricardo de Abreu Judice, Lauro Madeira, Helio Coffler, Fabiana Pittela, Vania Pereira Faria, Solano Madeira e Martha Fundão. Diante do receio de que o encontro se transformasse em um palco de disputas e acusações alheias ao propósito original de cautela e defesa coletiva, optou-se pelo cancelamento. Os esforços de organização continuarão por outras vias para unir credores frente a eventuais recuperações judiciais e assembleias de debenturistas, visando a recuperação dos aportes.
Rhino Securitizadora e a Apex Partners
Enquanto os credores buscam alternativas de união, documentos societários detalham o papel central desempenhado pela Rhino Securitizadora, que atuou como estruturadora e emissora de títulos de dívida — a exemplo das debêntures das séries BRMAPEX — contratados pela Apex Partners. Entre os proprietários da securitizadora está Pedro Chieppe, apontado como um dos maiores acionistas da Apex.
A história empresarial da Rhino revela laços profundos anos antes de a companhia se tornar a principal estrutura de financiamento da Apex Partners:
Agosto de 2021: Em ata que aprovou a emissão de R$ 30 milhões em debêntures da Rhino, Ricardo Ferraço aparecia nominalmente como diretor comercial da securitizadora. No mesmo documento, a Trekking Gestão e Estratégia Empresarial, representada por ele como sócio-administrador, figurava entre as acionistas da companhia.
Agosto de 2022: A passagem de bastão empresarial ocorreu em 17 de agosto de 2022, quando a Trekking transferiu suas 2.500 ações da Rhino para a CMRF Investimentos e Participações, representada por Pedro Chieppe Moura de Rezende Ferraço. A fatia correspondia a 25% do total de 10 mil ações existentes.
Aumento de Capital: Na mesma assembleia, a Rhino elevou seu capital para 400 mil ações, com a CMRF subscrevendo 100 mil delas, mantendo exatamente os mesmos 25%.
Janeiro de 2026: A securitizadora aprovou uma nova emissão de até R$ 60 milhões, dividida em séries batizadas de BRMAPEX. A escritura estabeleceu que a carteira de lastro seria formada exclusivamente por direitos creditórios nos quais a BRM Apex Investimentos figurava como cedente e/ou devedora.
Governança Interna: Apenas dois dias após a assembleia que autorizou a expressiva operação, Pedro Chieppe foi eleito diretor de compliance da Rhino, tornando-se o responsável pelas regras, políticas, procedimentos e controles internos da companhia.










