Cali, uma das maiores cidades da Colômbia, amanheceu nesta terça-feira (11) sob toque de recolher e com presença reforçada da polícia e do Exército nas ruas, um dia após um terremoto de magnitude 7,4 atingir o país e deixar um rastro de destruição.
A medida foi adotada depois de denúncias de saques na cidade e para facilitar o trabalho das equipes de emergência, que passaram a madrugada em busca de pessoas que possam estar presas sob os escombros. Os socorristas correm contra o tempo para encontrar sobreviventes.
O número de mortos no país subiu para 224 nesta terça-feira (11), segundo balanço mais recente divulgado pelo governo de Abelardo de la Espriella. Segundo o presidente, ao menos 188 pessoas estão desaparecidas apenas em Cali.
O toque de recolher, das 20h de segunda até as 6h desta terça, foi decretado pelo prefeito Alejandro Eder. “Temos ameaças de saque, por isso ordenei o toque de recolher e a militarização de Cali”, afirmou ele ao anunciar a medida. O prefeito pediu ainda que os moradores comuniquem às autoridades qualquer tentativa de saque ou situação de insegurança.
A presença da polícia e do Exército foi reforçada em diferentes setores da cidade, especialmente nas áreas que registraram os maiores danos. Segundo o governo de Espriella, cerca de mil integrantes das forças de segurança seriam enviados a Cali durante a madrugada.
Cali registrava, até a noite de segunda-feira, 35 mortos, 188 desaparecidos e cerca de 700 feridos. Aproximadamente 5.000 imóveis foram danificados ou desabaram.
A infraestrutura da cidade também sofreu graves impactos. Três hospitais colapsaram e outros 18 sofreram danos. Ao menos 38 instituições de ensino foram afetadas. O aeroporto da cidade suspendeu os voos, mas já voltou a operar nesta terça.
Equipes de emergência, auxiliadas por policiais, soldados e voluntários, trabalharam durante toda a noite com escavadeiras e, em alguns momentos, usando as próprias mãos, em busca de sobreviventes. Em alguns pontos, os socorristas pediam silêncio para tentar ouvir possíveis sinais de vida entre os destroços.
Em Pereira, outra das cidades mais atingidas pelo terremoto e localizada na região produtora de café da Colômbia, as autoridades também adotaram toque de recolher.
O prefeito Mauricio Salazar decretou toque de recolher das 18h de segunda-feira até as 5h desta terça-feira. A medida, segundo ele, é para proteger o comércio da cidade.
Pereira e sua região metropolitana concentram uma parcela significativa das mortes provocadas pelo terremoto. O balanço mais recente citado pelas autoridades aponta pelo menos 60 mortos na região.
Quase toda Pereira ficou sem energia elétrica durante a noite. Moradores caminharam pelas ruas usando lanternas enquanto equipes de emergência trabalhavam para retirar pessoas dos locais atingidos.
“Minha esperança é encontrar alguém com vida, fazer tudo o que for possível”, disse Kevin Restrepo, que participava das buscas na cidade, à AFP.
Em frente à praça principal de Pereira, a profissional de marketing Juana Marín, 25, também ajudava a retirar os escombros. “É angustiante demais. Não tenho palavras para tudo o que está acontecendo neste momento”, afirmou.
“Eu me sinto derrotada. É triste demais ver a cidade inteira assim, sabendo que ainda há pessoas vivas ali.”
O epicentro do terremoto foi localizado próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó, no oeste da Colômbia. Até o momento, a região registra 13 mortos, enquanto as equipes de emergência continuam as buscas. O trabalho, porém, é dificultado pelos danos provocados às estradas e ao aeroporto de Quibdó, capital do departamento.
Segundo a Cruz Vermelha Internacional, o acesso à região foi prejudicado pelos impactos do terremoto.
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)










