O roteiro do bloco de direita e centro-direita que tenta conquistar o Palácio Anchieta ganhou um ingrediente típico dos grandes suspenses políticos: o fator tempo. Esta coluna apurou que uma cláusula crucial ficou evidente no acordo selado em Brasília entre as cúpulas do PL e do Republicanos. A decisão sobre quem ocupará a vaga de vice na chapa de Lorenzo Pazolini e quem herdará o direito à segunda candidatura ao Senado foi empurrada, cirurgicamente, para o mês de agosto.
Em bom português: as convenções partidárias vão dar o encaminhamento burocrático e formal, mas o “noivo” — ou noiva — só será reconhecido de fato na porta da igreja, nos minutos finais do (casamento) prazo eleitoral.
O calendário da “porta da igreja”
O movimento faz todo o sentido técnico quando olhamos para as regras do jogo estabelecidas pela Justiça Eleitoral para este ano:
De 20 de julho a 5 de agosto: Partidos e federações realizam as convenções partidárias oficiais para deliberar sobre coligações e escolher candidatos a governador, vice, senadores e deputados.
Até 15 de agosto: Prazo final improrrogável para que os pedidos de registro de candidatura sejam apresentados e protocolados no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES).
É nessa janela estreita de agosto que o verdadeiro leilão político capixaba atingirá o seu pico de fervura.
A formação da trinca: o peso do PSD no tabuleiro
Segundo fontes ligadas ao ES Hoje, a espinha dorsal da aliança majoritária de oposição está desenhada com três siglas de peso: Republicanos, PL e PSD. O bloco caminha unido em torno do projeto de Pazolini ao Governo do Estado e já tem o primeiro nome carimbado para o Senado: Maguinha Malta (PL).
Com o PSD no circuito, a bolsa de apostas para o “segundo voto” para o Senado ganha contornos de peso pesado. A sigla traz para a mesa duas alternativas com forte apelo eleitoral e perfis completamente distintos: o ex-governador Paulo Hartung, que representa a força do PIB capixaba e o equilíbrio fiscal, e o deputado estadual Serginho Meneguelli, detentor de recall de votos estrondoso e forte apelo popular.
O “segundo voto” e o efeito atração do partido Novo
A consolidação do casamento entre PL e Republicanos funciona como um imã para o partido Novo, que deve ser arrastado para a coligação. Isso joga para dentro do balaio de agosto nomes competitivos que buscam a carona do segundo voto do eleitor conservador.
| Partido | Principais Nomes Orbitando a Segunda Vaga / Vice | Perfil Político |
| PSD | Paulo Hartung / Serginho Meneguelli | Centro/Gestão e Apelo Popular |
| Novo / Dissidências | Leonardo Monjardim | Direta Conservadora / Vitória |
| Republicanos / Articuladores | Evair de Melo / Carlos Manato | Bolsonarismo Raiz e Trânsito em Brasília |
O termômetro da coluna: por que esperar agosto?
Segurar o anúncio do vice e do segundo senador é pura estratégia de sobrevivência e expansão. Se o bloco anuncia a chapa completa agora em julho, perde o poder de barganha para atrair novas siglas e corre o risco de sofrer defecções para o bloco governista de Ricardo Ferraço e Renato Casagrande.
Ao empurrar a batida do martelo para a véspera do dia 15 de agosto, Pazolini e seus articuladores mantêm todo mundo mobilizado, trabalhando e, acima de tudo, contidos dentro do mesmo quadrado. Na política capixaba, o timing é o senhor da razão — e agosto promete ser o mês mais longo do ano.










