A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) vive dias de intensa articulação de bastidores. O foco das atenções é a CPI dos Consórcios Públicos e Adesões de Atas, uma comissão investigativa que mira contratos de centenas de milhões de reais e práticas nebulosas de licitação no território capixaba. No entanto, o avanço da apuração esbarrou no vai e vem das assinaturas necessárias para a sua abertura.
O pedido de criação da CPI, protocolado pelo deputado Lucas Polese (PL), chegou a alcançar as dez assinaturas regimentais exigidas. Mas, de acordo com um parlamente que não quer o nome divulgado, o cenário mudou drasticamente com o recuo do deputado Capitão Assumção, correligionário de Polese. A retirada do apoio inviabilizou — ao menos temporariamente — o início dos trabalhos, criando uma saia justa em uma comissão que conta, inclusive, com o apoio do presidente da Casa, deputado Marcelo Santos (União Brasil).
O alvo da investigação: O mercado bilionário das “caronas”
O cerne da CPI proposta por Polese atinge diretamente a gestão de recursos em municípios capixabas. Segundo o presidente da Ales, Marcelo Santos, há indícios de um uso indiscriminado e sem critérios das chamadas “caronas” em atas de registro de preços.
O mecanismo permite que prefeituras e órgãos públicos adiram a contratos já firmados por outras entidades, pegando uma “carona” na licitação alheia para agilizar compras e contratações. O problema, segundo os defensores da CPI, é que a falta de concorrência local pode inflar valores e camuflar irregularidades em cifras que alcançam a casa dos nove dígitos.
10ª assinatura e a negativa de Tyago Hoffmann
Com a lacuna deixada por Capitão Assumção, os holofotes do mercado político se voltaram para as tentativas de recompor o quórum da CPI. Fontes do Legislativo apontaram que o deputado governista Tyago Hoffmann (PSB) poderia ocupar o espaço vago e carimbar a abertura da comissão.
A possibilidade, contudo, foi rechaçada categoricamente pelo parlamentar do PSB. Em nota oficial enviada à coluna, Hoffmann negou qualquer movimento nesse sentido, adotando um tom de distanciamento da matéria:
“Essa pauta nunca fez parte da atuação parlamentar do deputado Tyago Hoffmann, jamais foi discutida com sua equipe e, em nenhum momento, houve qualquer intenção ou consideração para assinatura do pedido mencionado. O mandato segue integralmente dedicado às pautas que realmente impactam a vida dos capixabas, com foco no fortalecimento da saúde, no desenvolvimento dos municípios e na melhoria da qualidade de vida da população.”
O que acontece agora?
Sem a décima assinatura, o requerimento de Lucas Polese permanece na gaveta, aguardando um novo fato político ou o convencimento de algum parlamentar indeciso. A queda de braço nos bastidores da Ales expõe não apenas o debate técnico sobre a lisura dos consórcios públicos, mas também o xadrez político e o nível de blindagem e exposição de forças entre a base governista e a oposição no Espírito Santo.
A coluna segue acompanhando cada passo dessa articulação.










