Seria errado dizer que George Romero inventou o gênero de zumbis, que já existia antes dele. Em busca de exemplares, pode-se remontar ao ciclo de terror do produtor Val Lewton nos anos 1940. O que Romero fez, nos 1960, foi politizar seus filmes de mortos-vivos. Claro que a TV, recentemente, deu sua contribuição, com a saga de The Walking Dead.

O cinema francês agora soma ao ciclo. A Noite Devorou o Mundo integrou, há pouco, a programação do Festival Varilux. O longa de estreia de Dominique Rocher possui certo humor, mas sua originalidade não vem daí. Anders Danielsen Lie vai à casa da ex-namorada para recolher alguns pertences. Ao chegar, descobre que rola uma festa. Em vez de se enturmar, prefere se isolar – recolher. Pega uma bebida e vai para o quartinho dos fundos.

Deprimido, dorme. Ao acordar, descobre que não há mais ninguém em Paris – exceto mortos-vivos que infestam as ruas e tentam entrar na casa. Rocher não é Antonioni, mas sua contribuição ao gênero é a solidão do herói diante do perigo.

A Noite Devorou o Mundo
(Fr/2018, 94 min.)Dir. Dominique Rocher. Com Anders Danielsen Lie, Golshifteh Farahani

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Luiz Carlos Merten
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