As instituições públicas em todo o país têm sofrido dificuldades financeiras para manter as atividades. A UFESUniversidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que deveria receber da União R$ 71 milhões, teve os repasses reduzidos em cerca de 23% desde 2015. Em número, são menos R$ 15 milhões para custear, com recursos próprios, serviços, alimentação e bolsas estudantis. Para tentar melhorar esse quadro, não se descarta aumentar o valor do Restaurante Universitário, que hoje custa R$ 1,50. Outras mudanças, como redução no quadro de funcionários terceirizados, já foi feita.

Segundo o reitor Reinaldo Centoducatte, desde a adesão ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) em 2016, a União deveria enviar mais R$ 5 milhões, mas não fez isso. Para custear o funcionamento, são gastos R$ 8 milhões (além do que é arrecadado). Já foram feitas mudanças no cardápio, que era semelhante ao do almoço, foi reduzido a um prato único de sopa ou caldo;  e no salão de distribuição menor, o “RUzinho”, foi fechado. Mas segundo ele, os alunos da assistência (que possuem renda menor que um salário e meio e não pagam), e os que pagam a metade do valor de R$ 1,50, não sofreram mudanças.

“Nos fizemos algumas mudanças do ponto de vista emergencial para fechar esse ano. Mesmo assim, o subsidio é significativo. Se antes eram aportados da assistência estudantil R$ 6 milhões para o RU, esse ano são R$ 3 milhões. O que significa temos que tirar dos R$ 71 milhões o restante. São R$ 8 milhões. Precisamos discutir e encontrar uma solução, e uma delas é o valor da refeição”.

Mesmo com um quadro, o reitor garantiu que as atividades vão continuar funcionando. Para sair do vermelho, é preciso que o Governo Federal aprove a Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2018. O texto pode ser votado até 22 de dezembro e garante os recursos necessários para o ano.

“Fomos autorizados a gastar 74,5% dos R$ 71 milhões, são em torno de R$ 50 milhões. O governo sinaliza e tem o compromisso de liberar até 75%, o que são 9,5% a mais. Mas nos temos direito a 24,5%. Poderemos garantir funcionamento e equilíbrio financeiro da universidade com liberação de 100% do orçamento. Se não, será uma dívida que não honraremos em 2018. Ai as coisas ficam complicados. Mas tenho a convicção de junto aos outros reitores conseguir a liberação dos 100%”.

3549564-reinaldo-centoducatte-reitor-da-ufesCentoducatte explicou que desde 2008, a UFES aumentou a oferta de cursos de 61 para 104; bolsas de pós-graduação de 20 para 63; e as de doutorado de 8 para 27, o que gera gastos muito maiores. A falta dos recursos necessários representa uma queda na qualidade ofertada.

“Mesmo com todos esses cortes, de valor significativo de 2015 a 2016, temos feito um processo não só de ajuste, mas de otimização e melhoria de contratos, serviços e controles, para que possamos mesmo assim, prestar os serviços a nossa sociedade. Isso está associado a uma necessidade de ampliação de nossos orçamento em fase do crescimento da universidade nos últimos tempos”.

Mesmo assim, o reitor destacou pontos positivos, como o crescimento de 250 para 1000 trabalhos científicos publicados em revistas internacionais antes de 2017 acabar. São quatro vezes mais, o que mostra uma produção. “A nossa universidade continuará prestando os serviços necessários a sociedade, em particular a capixaba. Nossa instituição tem que uma relação de obrigação e compromisso independente da nossa gestão, governos que entram ou saem. Enquanto estivermos aqui, trabalharemos nessa perceptivas: prestar serviços de qualidade”.

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