mortesO ano de 2017 foi de insegurança e morte. Além dos acidentes nas rodovias, que resultaram em mais de 30 mortes, o Espírito Santo registrou 1.403 homicídios – 222 a mais do que no ano anterior. Em todo ano de 2016 foram 1.181 assassinatos, segundo levantamento feito pelo Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES).

O início do ano de 2017 ficou marcado pela greve na Polícia Militar – movimento em que familiares de oficiais fecharam os acessos aos batalhões, impedindo o policiamento ostensivo por todo Espírito Santo. A paralisação foi no mês de fevereiro, durante cerca 20 dias, quando foram registrados recordes: 229 homicídios. Entretanto, os números mostram que as mortes continuaram crescendo ao longo do ano.

Serra é líder
Uma média de 115 pessoas foram assassinadas por mês no Espírito Santo ano passado, de acordo com o número de mortos registrados no Departamento Médico Legal de Vitória e nos Serviços Médico Legal de Linhares, Cachoeiro e Colatina. A cidade líder em assassinatos foi a Serra (305), seguido por Cariacica (177), Vila Velha (164) e Vitória (87).

homicidio_igreja_01-24608No interior do Espírito Santo, Linhares foi à cidade que registrou o maior número de homicídios: 87 mortes.  Logo atrás estão os municípios de São Mateus (67), Cachoeiro de Itapemirim (31) e Colatina (30).

“A Secretaria de Segurança Pública dizia que era um fato atípico, que a carnificina foi apenas por causa do movimento da PM no estado. Porém, os números são claros e refletem a falta de investimentos e valorização de todos os agentes de segurança pública capixaba. Destacamos ainda que no auge da crise, em fevereiro, os policiais civis se desdobraram, mesmo em péssimas condições para impedir que mais pessoas fossem vítimas das ações dos criminosos. A categoria mostrou bravura e coragem, mesmo com todas as dificuldades”, disse Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), mas até o momento o órgão não se manifestou.

Apenas três meses apresentaram redução nos homicídios
Os anos de 2016 e 2017, comparados mês a mês, apresentam números ainda mais preocupantes. Apenas maio, setembro e dezembro do ano passado registraram queda no número de assassinatos. O mês de abril chama atenção pelo aumento em 36 homicídios.

MESES                  2017 2016
JANEIRO 97 HOMICÍDIOS 94 HOMICÍDIOS
FEVEREIRO 229 HOMICÍDIOS 122 HOMICÍDIOS
MARÇO 129 HOMICÍDIOS 114 HOMICÍDIOS
ABRIL 133 HOMICÍDIOS 97 HOMICÍDIOS
MAIO 97 HOMICÍDIOS 100 HOMICÍDIOS
JUNHO 98 HOMICÍDIOS 78 HOMICÍDIOS
JULHO 92 HOMICÍDIOS 90 HOMICÍDIOS
AGOSTO 114 HOMICÍDIOS 105 HOMICÍDIOS
SETEMBRO 91 HOMICÍDIOS 102 HOMICÍDIOS
OUTUBRO 114 HOMICÍDIOS 93 HOMICÍDIOS
NOVEMBRO 106 HOMICÍDIOS 79 HOMICÍDIOS
DEZEMBRO 103 HOMICÍDIOS 107 HOMICÍDIOS

CNMP diz que faltam policiais para investigar crimes
O relatório divulgado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) revelou que o Espírito Santo possui 134 delegacias, mas apenas sete contam com o número suficiente de policiais para trabalhar. Além disso, das 134 delegacias, apenas 26 ficam abertas 24 horas, com policiais de plantão.

No Espírito Santo, os membros do Ministério Público Estadual visitaram as 134 Delegacias de Polícia Civil cadastradas, cumprindo, assim, 100% da meta estabelecida pelo CNMP. Foi o único Estado do Sudeste em que todas as unidades foram visitadas e pesquisadas. As informações estão disponíveis na publicação “O Ministério Público e o Controle Externo da Atividade Policial”, lançado em dezembro de 2017.

Em 109 das 134 delegacias capixabas visitadas pelo Conselho Nacional do Ministério Público existem Inquéritos policiais em tramitação há mais de dois anos. Além disso, de acordo com o CNMP, em pelo menos 69 Delegacias foram encontradas ocorrências investigadas sem instauração de Inquéritos Policiais ou Termos Circunstanciados, o que é contra a lei. O Espírito Santo tem a pior posição entre os estados do Sudeste neste item, com 51,49% de investigações sem Inquéritos ou Termos Circunstanciados.

O estado tem ainda o pior índice da Região Sudeste quanto o assunto é plantão nas delegacias. Das 134 delegacias, apenas em 26 há plantão ininterrupto. A pesquisa ainda destacou outro importante ponto. Em 46,27% das Delegacias de Polícia Civil visitadas pelos promotores de Justiça em solo capixaba, o delegado não está presente fisicamente na unidade, justamente por falta de efetivo. Isso acontece em 62 das 134 delegacias. De novo, o pior índice do Sudeste.

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