Você sabia que 12 de agosto é o Dia dos Elefantes? Entra ano, sai ano, e uma data de importância tão grande acaba passando desapercebida, perdida em meio à correria habitual da raça humana neste início de milênio.
         Eis aí, seguramente, uma, digamos, paquidérmica injustiça – afinal, os elefantes são animais verdadeiramente notáveis, inspiradores de grandes reflexões e de gestos absolutamente nobres.
         Comecemos pelo recente conflito na Faixa de Gaza. Alguém observou – e registrou – que, no zoológico local, ao primeiro sinal de mísseis ou bombardeios, os elefantes adultos faziam imediatamente um círculo ao redor dos filhotes, protegendo-os. O círculo somente era desfeito quando cessado o perigo.
         Perceba o quão notável é esta atitude! E tão mais notável quando espontânea, parte da natureza deles! Não houve necessidade de nenhuma Declaração Universal dos Direitos dos Elefantes, ou da criação de alguma Organização dos Elefantes Unidos (OEU), para que eles assim procedessem.
         Diante deste tocante exemplo, olhe para o nosso planeta, com olhos de ver, e perceba o quanto temos a aprender com estes animais – os quais ainda ousamos denominar “irracionais”.
         Mas prossigamos: descobri que até no ocaso da vida os elefantes são de uma sensibilidade ímpar. Quando enfraquecido ou idoso, um membro da manada não encontra o abandono – e muito pelo contrário. A manada fica ao redor, solidária e firme.
         Contemple, agora, a realidade dos nossos velhinhos largados pelos corredores imundos de alguns hospitais públicos do planeta, experimente a dor de permanecer em pé durante horas aguardando algum atendimento, recorde-se de que corrupção traga 15% dos recursos destinados pela humanidade à saúde, imagine que algum dia poderá ser você a estar doente, e aí… pense nos elefantes!
         Vamos a mais um exemplo: cientistas tailandeses descobriram, recentemente, que os elefantes são capazes de se consolar em momentos de angústia. Funciona assim: quando um elefante se inquieta, suas orelhas se estendem para os lados, a cauda se levanta ou se curva e ele emite um barulho de baixa frequência, como uma trombeta. Neste momento, os elefantes ao redor se aproximam dele para um contato físico direto mais frequente do que o registrado nos períodos de normalidade.
         Pois é. Da próxima vez que você, por algum fato da vida, recordar-se da advertência de Stanislaw J. Lec, “não grite por socorro à noite, pois pode acordar os vizinhos”, pense nos elefantes.
         Mas talvez a mais espetacular característica dos elefantes seja a memória! Sim, é verdade que os elefantes nunca esquecem! Vejamos, por exemplo, o caso de duas fêmeas, Jenny e Shirley. Elas trabalharam juntas num circo no final da década de 1980, tendo sido então enviadas para jardins zoológicos distintos. Mais de vinte anos depois, o reencontro delas foi “dramático”, conforme a descrição do diretor do santuário para o qual foram enviadas. Transcrevo suas palavras: “Houve logo uma urgência no comportamento da Jenny. Ela queria estar perto da Shirley, que estava separada dela por grades de ferro. Ela ficou agitada, a bater nas grades, tentando removê-las. Assim que as grades foram retiradas, os dois animais começaram a interagir de uma forma intensa, entrelaçando as trombas, passeando juntos e brincando”.
         Na nossa espécie é diferente. Com que facilidade a raça humana esquece os nomes daqueles que, fazendo o mal ou dificultando a repressão dos que o fizeram, causaram dor imensa a tantos semelhantes nossos – e a nós!
         É por essas e outras que celebro, a cada ano, o Dia dos Elefantes, recordando sempre a acusação de Mark Twain: “ao estudar as características e a índole dos animais, encontrei um resultado humilhante para mim”.

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