Com a proximidade do ENEM é fundamental que os candidatos conheçam e se apropriem de técnicas de produção do texto dissertativo/argumentativo, conhecido popularmente como REDAÇÃO. Em regra, a dissertação é um dos textos mais difíceis para a comunidade estudantil, por apresentar certa complexidade no seu processo de elaboração e produção, devido às exigências inerentes a todo e qualquer texto dissertativo/argumentativo.

É um texto que procede de reflexões sobre determinado assunto, em que a opinião do autor (falante) deve ser explicitada, com o objetivo de ser acatada pelo ouvinte. Por isso, o rigor na aplicabilidade dos mecanismos de produção, de modo que o convencimento e a persuasão sejam alcançados no processo de interlocução.

O locutor ao se posicionar acerca de determinado assunto, faz-se, de certa forma, juízo de valor com a pretensão de atingir o “outro” – razão pela qual se justifica o uso de uma linguagem bem elaborada.

Pode-se afirmar que na dissertação a marca da subjetividade é mais explícita que nas demais formas discursivas, embora a marca do “eu” apareça implicitamente. Isso ocorre porque a subjetividade se evidencia quando o locutor busca aliar-se ao interlocutor com a intenção de fazer seu discurso e, ainda, de envolver seu ouvinte, a fim de convencê-lo e persuadi-lo.

O processo de convencimento e de persuasão requer do emissor raciocínio lógico e discurso bem articulado, além de linguagem adequada. É justamente nessa fase de construção textual que residem as maiores dificuldades dos estudantes.

Para facilitar a compreensão dos discentes, é comum os professores nomearem a estrutura dissertativa em introdução, desenvolvimento e conclusão. Todavia, essa nomeação se refere tão somente à estrutura das partes e, indubitavelmente, a estruturação do raciocínio deve vir a priori, evidentemente.

O bom texto é o que apresenta recursos de eficiência textual, tais como: adequação ao tema solicitado, ao tipo de composição e ao nível de linguagem – indispensáveis à coerência do texto.

Ao dissertar, devem-se considerar alguns aspectos importantes, a saber: o tipo de assunto a ser discutido, o raciocínio mais adequado à argumentação e o entrelaçamento desse raciocínio para se chegar à conclusão. Para tanto, é indispensável a seleção lexical.

Portanto, é necessário que o usuário da língua perceba o valor da argumentação e persuasão no discurso do outro e se exercite para adquirir habilidades argumentativas e persuasivas próprias. O alcance desse domínio linguístico decorre da prática constante e simultânea de leitura, escrita e reescritura.

Andreia Coutinho
Advogada, escritora, revisora e professora de Língua Portuguesa, Literatura & Redação. Pós-graduada/Especialista em Estudos Linguísticos.

Autora do livro: Como corrigir produções de textos escolares. Protexto: Curitiba, 2012.

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