Cesar Herkenhoff

César Herkenhoff é pós-graduado em Psicanálise Clínica e em Criminologia, Política Criminal e Segurança Pública. Pós-graduando em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho. Bacharel em Teologia, Direito e Comunicação Social. Hipnólogo e membro da Instituto Brasileiro de Hipnologia e da Sociedade Iberoamericana de Hipnologia Condicionativa. Jornalista, radialista e publicitário. Analista Judiciário do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Fase 1: o político ganha foro privilegiado.

Fase 2: o Ministério Público Federal pede ao Supremo Tribunal Federal Autorização para investigar. Algumas investigações são autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça ou pela Justiça Federal, em razão dos cargos exercidos pelos suspeitos.

Fase 3: O STF/Justiça Federal autorizam a investigação.

Fase 4: A Polícia Federal realiza as investigações e encaminha os autos ao Ministério Público Federal.

Fase 5: O Ministério Público Federal decide ou não se denuncia o investigado. Se não denunciar, o inquérito é arquivado.

Fase 6: Se decidir pela denúncia, o Ministério Público Federal encaminha os autos ao STF, STJ ou à Justiça Federal, conforme o caso.

Fase 7: Recebida a denúncia, o investigado se torna réu.

Fase 8: O Judiciário decide, então, se condena ou absolve o denunciado.

Fase 9: O povo vive uma longa expectativa de que tudo termine em pizza.

Qualquer que seja o resultado do processo investigatório, o Brasil não será o mesmo a partir dessa nova fase da operação Lava Jato, em que há cinco ex-presidentes envolvidos (José Sarney, Fernando Collor de Melo, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff), sem contar o atual, Michel Temer, excluído temporariamente das investigações porque goza de imunidade provisória e não responde por crimes praticados fora do exercício do mandato.

Embora tenha a intenção de tratar do assunto na coluna Hugo Borges, na próxima sexta-feira, não há coimo fugir ao assunto, porque a operação Lava Lato chegou ao Espírito Santo.

E chegou atingindo como um tsunami duas das mais importantes lideranças políticas capixabas: o governador Paulo Hartung e o senador Ricardo Ferraço (PSDB).

Hartung acusado em deleção premiada de ter recebido R$ 1 milhão da Odebrecht nas campanhas eleitorais de 2010 e 2012. Ferraço, acusado de falsidade ideológica eleitoral.

Como tudo no Judiciário, a investigação vai levar pelo menos um ano-luz, mas a simples inclusão de seus nomes no processo de investigação do maior escândalo de corrupção da história brasileira, mancha irreversivelmente as biografias do governador e do senador Tucano.

O discurso, é claro, não poderia ser diferente: não houve recebimento ilegal de recursos e todos os valores recebidos foram declarados à Justiça Eleitoral que aprovou as contas.

Hartung defende-se com o outrora sólido argumento de que não foi, sequer, candidato nas eleições de 2010 e 2012. Não altera substancialmente a dimensão dos fatos porque, direta e indiretamente, tinha interesses muito nítidos nos dois processos eleitorais.

Qualquer que seja o desfecho da história, tanto para Paulo Hartung como para Ricardo Ferraço o resultado será devastador.

Mas a questão ainda não colocada é que a Lava Jato apenas acabou de chegar ao Espírito Santo.

A coisa vai ficar tão feia que vaca não vai reconhecer bezerro.

Vai ter muito padrinho político sendo submetido a exame de DNA eleitoral.FB_IMG_1491485931683

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