polícia federaEntre os envolvidos na operação da Polícia Federal para combater o câmbio ilegal de moedas estrangeiras no Espírito Santo, está uma mulher, identificada como Charlene Muzy Savergnini. Ela está foragida. A investigação teve início na empresa dela, localizada em Itapuã, Vila Velha. Segundo a PF, ela teria lesado diversos clientes que compraram pacotes de viagens. Outras três pessoas estão presas preventivamente.

Entre os envolvidos no esquema também há um doleiro suspeito de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. A estimativa da polícia é que, apenas em 2016, a agência de turismo tenha recebido cerca de R$ 9 milhões de clientes interessados em comprar dólares e euros ilegais, apesar de ter autorização do Banco Central. A operação cumpriu ainda 19 mandados de busca e apreensão em Vitória, Vila Velha, Serra e Nova Venécia.

O delegado da Polícia Federal, Vitor Moraes Soares, explicou que cinco empresas foram investigadas: três são casas de câmbio (que tiveram as atividades suspensas) e duas agências de turismo. Na prática, a pessoa que comprava o pacote de turismo adquiria junto dólares e euros, sem nunca ter de fato os comprados. Diversas delas foram chamadas a Polícia Federal e confirmaram jamais ter adquirido qualquer moeda estrangeira.

“A investigação iniciou com denúncias de que uma empresa de turismo estaria realizando o câmbio ilegal. Com as investigações verificamos que havia uma relação entre ela e uma determinada casa de câmbio, que fornecia as moedas estrangeiras para que a empresa de turismo fizesse o câmbio ilegal paralelo. Em contrapartida, para auxiliar a casa de câmbio, a empresa de turismo fazia a venda de fato de pacotes de turismo, pegava os dados dessas pessoas, e fornecia a casa de câmbio, que por sua vez lastreava as vendas com a documentação dessas pessoas que jamais compraram uma moeda estrangeira”.

O delegado informou que a vantagem do esquema era sempre financeira, com empresas buscando uma maior lucratividade. Primeiramente para a agência de turismo, que tem como principal atividade econômica a venda de pacotes e passagens.

“Ela agregava a movimentação financeira com a venda de moeda estrangeira. Por sua vez, a casa de câmbio realizava operações a margem da lei, fora da contabilidade, utilizando as informações dessas pessoas justamente para também aumentar a lucratividade”.

Até a manhã desta quinta-feira (8), foram contabilizados 65 mil dólares, 32 mil euros e R$ 250 mil. O delegado disse que durante a investigação, foram apreendidos 200 mil dólares negociados no mercado paralelo, que estavam sendo transportados sem documentação comprovando a origem do dinheiro. Do total, 50 mil dólares foram encontrados no aeroporto Santos Dummont, no Rio de Janeiro, e outros 150 mil dólares com duas pessoas em um carro na BR 262, em Viana.

Os investigados responderão pelos seguintes crimes previstos na Lei dos Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional: operar instituição financeira sem autorização (para o caso das empresas clandestinas), gestão fraudulenta, movimentar recurso ou valor paralelamente à contabilidade exigida pela legislação, atribuir a terceiro falsa identidade para realizar operação de câmbio e efetuar operação de câmbio não autorizada, bem como responderão pelo crime de lavagem de dinheiro, cujas penas poderão alcançar de 4 a 36 anos, se somadas.

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