O plano de utilizar a estrutura do Hotel Senac Ilha do Boi como ponto de desembarque para passageiros de navios de cruzeiro em Vitória sofreu uma reviravolta técnica. Um laudo recém-concluído pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) atestou que a área do píer do hotel não possui profundidade (calado) suficiente para receber as embarcações de transbordo vindas dos transatlânticos.
A inviabilidade contrapõe os cenários articulados desde o final do ano passado entre o setor produtivo e o Governo do Estado. Em dezembro de 2025, um levantamento da Universidade de São Paulo (USP), encomendado pela Secretaria de Estado do Turismo (Setur-ES), havia mapeado uma área de fundeio na Baía de Vitória para a parada de cruzeiros.
A proposta previa que os turistas desembarcassem no mar em embarcações menores (tenders) e seguissem até a Ilha do Boi, local cotado como a principal opção para a operação-teste.
Na época, a execução do projeto dependia do envio de recursos e de autorizações da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e de obras de dragagem sob responsabilidade da Prefeitura de Vitória. O Senac-ES previa aplicar R$ 2,5 milhões na adequação da estrutura.
Navegação recreativa
Com o parecer negativo para o calado marítimo na geografia do hotel, o investimento na Ilha do Boi será redirecionado para a navegação recreativa. Segundo a Fecomércio-ES, a reforma da área de lazer do hotel incluirá apenas a instalação de um flutuante voltado para embarcações de pequeno porte, além de nova piscina e espaço para eventos corporativos.

Sem a alternativa da Ilha do Boi, o modal de cruzeiros no Espírito Santo volta a depender da identificação e viabilização de novos pontos de atracação para receber os passageiros na Capital.










