Quando se fala em Vila Velha, é comum o Convento da Penha vir à mente como um dos principais cartões-postais do município. E não é para menos: o monumento reúne arte, arquitetura e turismo, além de ser palco de um dos maiores eventos de fé do Espírito Santo.
Mas você sabia que, aos pés do Convento, existe também um mundo de história, cultura e arte? Fazer turismo em Vila Velha é conhecer um pouco da história do Espírito Santo
O início da história de Vila Velha
O professor do Departamento de História da Ufes, Luiz Cláudio Ribeiro, conta que Vila Velha é considerada o ponto de partida da colonização portuguesa no Espírito Santo, sendo a primeira instalação urbana e jurídica do Império Português no território que depois ficou conhecido como Capitania do Espírito Santo. “Foi ali que chegou a nau do capitão-donatário Vasco Fernandes Coutinho, em 1535, e onde foi fundada a Vila do Espírito Santo.”
A escolha da região não foi por acaso. Luiz Cláudio frisa ainda que Vila Velha foi o primeiro ponto de desembarque da expedição porque oferecia abrigo entre morros, águas abundantes, acesso à madeira e posição estratégica para defesa e vigilância do litoral.
“Além disso, o Canal do Espírito Santo, atual Canal da Baía de Vitória, facilitava a navegação, a pesca, a circulação entre as áreas vizinhas e a ocupação do território. Tudo isso foi importante para que Vila Velha fosse considerada o lugar ideal para o início da colonização.”
A região da Prainha também teve papel estratégico. “Por isso, ali foi construído um forte, hoje conhecido como Forte de São Francisco Xavier da Barra. A estrutura atual é do século XVIII, mas o local já era utilizado desde o início da colonização como ponto de defesa contra embarcações que chegavam pelo mar.”

O bonde que guarda a memória da cidade
Localizada na Av. Luciano das Neves, 17, na Prainha, a Casa da Memória de Vila Velha guarda um dos bens históricos do município, o Bonde 42. Trata-se do último exemplar da frota da antiga Escelsa, hoje EDP, que era a gestora do modal, que teve enorme importância no desenvolvimento da cidade. Por onde passou, foram fundados bairros como Ataíde, Aribiri e Glória.
Inaugurados em 12 de abril de 1912, dois bondes elétricos fizeram a primeira viagem em Vila Velha. Cinco meses depois, a empresa Viação Elétrica comprou mais dois conjuntos e uma gôndola. Os bondes circulavam por dez quilômetros de trilhos pela cidade. Um saía do Centro e outro, de Paul. O cruzamento dos dois acontecia na Estação de Aribiri.
Atualmente, o local recebe visitantes de terça a domingo e feriados, das 8h30 às 17h30. O agendamento prévio é feito apenas para escolas.
A Casa da Memória possui tombamento provisório pelo Conselho Estadual de Cultura, o que significa que o imóvel é reconhecido por seu valor histórico e cultural e recebe proteção para preservar suas características enquanto o processo de tombamento definitivo não é concluído.
Para os apaixonados por fotografia e história, o local, que foi construído no século XIX, abriga uma exposição permanente de fotografias, objetos e outras imagens que preservam a história da formação de Vila Velha e do Estado.

Um marco da colonização
Estabelecido no Parque da Prainha, o Marco Zero da Colonização do Espírito Santo é mais uma atração no local e foi inaugurado em comemoração à colonização do solo espírito-santense e ao aniversário de 489 anos de Vila Velha. A obra conta a história da colonização, retratando Vasco Fernandes Coutinho, o escudo de Portugal, a caravela Glória, usada por ele em sua chegada a Vila Velha, os povos originários, os pescadores da Prainha, a imagem de Frei Pedro Palácios apontando para as palmeiras do Convento da Penha e o mapa do Espírito Santo elaborado em 1535.
De acordo com a Prefeitura de Vila Velha, a obra de arte a céu aberto tem 10 metros de diâmetro e foi criada pelo artista plástico Celso Adolfo.
No centro da obra, foi inserido um brasão com a imagem de uma caravela e a seguinte inscrição: “O Espírito Santo nasceu aqui. Vila do Espírito Santo. Vila Velha. 1535.”
Outra figura importante para o Estado é a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, no Centro de Vila Velha. A igreja é considerada uma das mais antigas do Brasil. Segundo a Prefeitura do município, a construção foi erguida a partir de uma ermida construída em 1535 pelo donatário Vasco Fernandes Coutinho. Além disso, a Igreja do Rosário é uma das únicas em funcionamento eucarístico desde sua fundação.
A Prefeitura completou ainda que a igreja começou a ser construída no ano da colonização e finalizada com a chegada dos jesuítas, em 1551. Em 1950, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Todos os anos, no dia 7 de outubro, é comemorado o Dia de Nossa Senhora do Rosário, padroeira da cidade de Vila Velha.
Com belas pinturas internas e cheia de imagens que transmitem fé e esperança, os fiéis e turistas podem fazer as visitações de segunda a sexta-feira e feriados, das 9h às 16h30, com entrada do último grupo de visitantes às 16h30.

História preservada dentro do forte
O Forte São Francisco Xavier da Barra, localizado no 38º Batalhão de Infantaria, é um dos mais importantes monumentos históricos do Espírito Santo.
O espaço cultural reúne um Salão de Honra com bandeiras históricas do Brasil e retratos dos patronos do Exército Brasileiro. O local também abriga a Sala Vasco Fernandes Coutinho, dedicada à história do Espírito Santo, e a Sala Duque de Caxias, com acervo da Segunda Guerra Mundial, entre outros artefatos.
Além do acervo histórico, o forte oferece vista para a Baía de Vitória.
Atualmente, o monumento é tombado pelo Município de Vila Velha, por meio do Conselho Municipal de Cultura, e está em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela Semcult.
Localizado na Alameda Sd. Adenilton Miranda, 1, Centro de Vila Velha, a visitação pode ser feita mediante agendamento pelo site abaixo.

Horário de funcionamento
Horário de funcionamento (sob disponibilidade)
Domingo: 14h às 20h
Segunda-feira: fechado
Terça-feira: 14h às 20h
Quarta-feira: 14h às 20h
Quinta-feira: 14h às 20h
Sexta-feira: 14h às 20h
Sábado: 14h às 20h
O cartão-postal que atravessa gerações
Não poderia faltar o cartão-postal de Vila Velha, o Convento da Penha, localizado na Rua Vasco Coutinho, Centro de Vila Velha, com vista para a Prainha e para a Terceira Ponte.
De acordo com a Prefeitura, a construção de um dos símbolos do Espírito Santo teve início em 1566. Era uma ermida sob um penhasco de 154 metros de altitude, em homenagem a Nossa Senhora das Alegrias. Ali começava a história do Convento, cuja obra original teve início em 1651. O projeto arquitetônico e paisagístico é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Para quem deseja acompanhar as missas na Capela do Convento, a cerimônia acontece:
Segunda a sábado: 7h, 9h, 11h e 15h (também transmitida pelas redes sociais).
Domingo: 5h, 7h, 11h e 15h.

Missas no Campinho do Convento
Missa da Saúde | Toda quarta-feira
15h (também transmitida pelas redes sociais).
Domingo
9h (também transmitida pelas redes sociais).
Já o portão de acesso ao Campinho:
Segunda a sexta: 6h às 16h45 (subida de veículos liberada).
Sábado: 6h às 16h45 (a partir das 6h, sobem os 50 primeiros automóveis apenas para a Missa das 5h. Ao longo do dia, a subida é proibida).
Domingo: 4h às 16h45 (a partir das 4h, sobem os 50 primeiros automóveis apenas para a Missa das 5h. Ao longo do dia, a subida é proibida).
Também fica permitido o acesso de veículos que transportam cadeirantes ao longo do dia.
Sistema de transporte
Vans (ingresso para subir e descer: R$ 6,00).
“Trenzinho das Alegrias” (ingresso para subir e descer: R$ 20,00).
Sabores que também contam a história de Vila Velha
Entre história, fé e arte, há também espaço para se deliciar com pratos pensados para o público capixaba.

No cenário gastronômico, Renatynho Scampini fala sobre o Capixabar, ponto procurado pelos turistas. “É muito legal falar do Capixabar em uma matéria sobre Vila Velha e, principalmente, sobre a Prainha. Temos muito orgulho de estar em uma região que representa tanto a história da nossa cidade.”
Para ele, a Prainha vive um momento especial. “É uma região que sempre teve uma importância histórica enorme para Vila Velha, mas que, nos últimos anos, também ganhou uma identidade gastronômica e de entretenimento muito forte.”
“Quando o Capixabar chegou, nossa ideia sempre foi somar a esse movimento. Criamos um bar com uma proposta simples: comida boa, cerveja gelada, preço justo e aquele clima de boteco, onde você chega e se sente à vontade, com o clima incomparável da pracinha à nossa frente”, reforçou.
Segundo o proprietário, a mudança está também na forma como o público aproveita a região. “Hoje, a pessoa não vem à Prainha somente para visitar um ponto turístico. Ela vem para passar algumas horas aqui. Visita o Convento, conhece a parte histórica, passeia pela região e depois senta para comer, beber e encontrar os amigos.”
“A gastronomia ajudou a fazer a Prainha ser vivida também dessa maneira, e temos muito orgulho de o Capixabar fazer parte disso.”
Ele destaca ainda a relação do capixaba com a comida de boteco e o hábito de compartilhar. “É sentar à mesa, pedir algumas porções, tomar uma cerveja gelada na praça e ficar conversando sem pressa. O Capixabar tem muito dessa essência. Temos nossos pastéis, torresmo, moela, bolinho de carne à parmegiana e o nosso prato principal, que é o arroz de costela.”

Sobre o movimento de turistas, Renatynho destaca o aumento do público na região. “Recebemos bastante turista, principalmente pela localização privilegiada da Prainha e pela proximidade com alguns dos principais pontos turísticos de Vila Velha. E uma coisa interessante é que o turista normalmente quer viver aquilo que o morador vive. Ele não quer necessariamente encontrar algo feito ‘para turista’. Quer saber o que a gente come, onde a gente senta para tomar uma cerveja e quais são os sabores daqui.”
Ele conta que muitos turistas chegam depois de visitar o Convento da Penha e outros pontos da região e procuram uma experiência mais descontraída, com comida de boteco, petiscos, cerveja gelada e um lugar para conhecer um pouco do jeito capixaba de aproveitar a vida.
“No final, acho que esse é o papel que o Capixabar procura cumprir na Prainha: ser um lugar com a cara de Vila Velha, feito para quem é daqui e de portas abertas para quem vem conhecer nossa cidade.”
Do patrimônio ao mar

A poucos minutos do Centro de Vila Velha, o Farol Santa Luzia é uma opção para quem gosta de deck, ar livre e monumentos. A torre tem 12 metros de altura e sua luz alcança 63 quilômetros. Até hoje, o farol orienta a entrada de navios na Baía de Vitória e em Vila Velha.
Centenário, o Farol Santa Luzia é um exemplar da cultura e da história do Espírito Santo. Atualmente, o monumento está em processo de tombamento provisório pelo Conselho Estadual de Cultura.
Além de orientar os navios, o local se tornou um dos pontos favoritos para ensaios fotográficos.
Horário de funcionamento
Terça a domingo e feriados, das 8h30 às 16h30, com entrada do último grupo de visitantes.
É necessário agendamento somente para escolas e excursões, pelo e-mail [email protected].
Do farol às praias
Para quem prefere passeios pelo mar e contato com a natureza, é possível fazer o tour das Maravilhas de Vila Velha, com o Capitão Grillo.
O passeio de lancha visita duas ilhas do município: o Arquipélago de Itatiaia e a Ilha da Xuxa, aos pés do Morro do Moreno. O passeio inclui parada para banho e vista panorâmica.
Entre os pontos estão as Ilhas Itatiaia, a Ilha da Baleia e a Praia Bananal. Os desembarques são feitos no mar, próximos aos atrativos.
Na vista panorâmica, é possível contemplar o Convento da Penha, o Morro do Moreno, o Forte São Francisco Piratininga, a Baía de Vitória (APA Baía das Tartarugas), a Ilha do Frade e a Praia Secreta, entre outros pontos.
O passeio dura três horas, com embarque no Píer dos Pescadores da Prainha, em Vila Velha, às 8h20.
Mais informações: (27) 99791-5665.

Outra opção é visitar a Ilha Pituã e as Ilhas Itatiaia. A Ilha Pituã fica a 300 metros da Praia de Itapuã e conta com piscinas naturais e vegetação nativa.
Já o Arquipélago de Itatiaia fica a 800 metros da Praia de Itapuã e é formado por sete ilhas, que servem de berçário para algumas espécies de aves marinhas, principalmente andorinhas-do-mar e garças.
Para os passeios, é recomendado levar protetor solar, água, alimentação e sacolas para recolher o lixo. Não é permitido fazer churrasco ou fogueira no local.
Equipes com licença para passeios às ilhas
- Trem Bala – 99979-1035 (Eduardo)
- Jamaica – 99723-5038 (Haley)
- Equipe Águia – 99897-3009 (Eduardo)
- Só Alegria – 99661-0677 (Luiz Felipe)
- Tradição e Cultura – 99922-9189 (Marlucia)
- LitoralTur – 99616-8514 (Murilo)
- Juntos e Misturados – 99618-9598 (Parrudo)
- Leão de Judá – 99743-8571 (Jean Carlos)
Igrejas históricas são opções de visitação em Vila Velha
Para quem gosta de passeios ligados à história e à fé, outras opções são as igrejas Nossa Senhora da Glória, na Praça Pedro Valadares, na Barra do Jucu, e Nossa Senhora dos Navegantes, na Ponta da Fruta.

A Prefeitura de Vila Velha destaca que a Igreja Nossa Senhora da Glória é um dos principais pontos turísticos do balneário e local de concentração da primeira parada dos Passos de Anchieta. A igreja funciona aos sábados, das 8h às 10h30, e aos domingos, das 8h às 10h. Informações: (27) 99602-1524.
Já a Igreja Nossa Senhora dos Navegantes fica no topo de um morro, de onde é possível avistar toda a Praia da Ponta da Fruta e a Praia da Baleia. No entorno, um mirante de 360º oferece vista panorâmica das praias e de parte da cidade de Vila Velha.
A dica é chegar no fim da tarde para acompanhar o pôr do sol e registrar imagens. A igreja funciona somente aos domingos, a partir das 19h.
Cultura que vive na Barra do Jucu
Um passeio ao ar livre para caminhar, correr, pedalar e contemplar arte é a Ponte da Madalena, na Barra do Jucu. O local abriga o Monumento ao Congo, homenagem à principal manifestação cultural da região.
O monumento também celebra a memória dos mestres Alcides e Honório. O Parque Jacarenema funciona das 6h às 18h, horário que deve ser respeitado pelos frequentadores.

Uma experiência com gosto de chocolate
Para quem gosta de chocolate, o Museu Garoto, localizado na Praça Meyerfreund, na Glória, conta a história da fabricação do chocolate, desde a origem do cacau até a transformação do produto. O passeio também apresenta a trajetória da marca no Brasil e no mundo.
Os visitantes podem ter uma experiência multissensorial e acompanhar diferentes etapas da produção dos chocolates, além de conhecer as marcas Garoto.
Para a visita, é obrigatório o uso de calçados fechados. Não são permitidos shorts, vestidos e saias acima dos joelhos, trajes de banho, camisetas regatas, curtas ou com decotes, armas de fogo, objetos cortantes ou pontiagudos, calçados com salto e chinelos abertos.
O funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados, das 9h às 14h.
O museu funciona somente com agendamento antecipado. O valor do ingresso deve ser consultado no local. O pagamento é feito somente com cartão.










