Tem lugar que você conhece em poucas horas. Cachoeiro de Itapemirim não é exatamente assim. Basta começar a circular pela cidade para perceber que cada parada guarda uma história diferente. Entre uma montanha e outra, uma cachoeira, uma igreja antiga e uma casa cheia de histórias, sempre aparece uma nova descoberta que merece uma atenção especial.
No Sul do Espírito Santo, a cerca de 140 quilômetros de Vitória, a cidade tem o Rio Itapemirim cortando a paisagem e o Pico do Itabira como uma de suas referências. Mas o roteiro vai muito além das paisagens: passa pela memória de nomes como Roberto Carlos, Rubem Braga e Sérgio Sampaio, encontra construções históricas, sabores tradicionais e algumas curiosidades que ajudam a explicar por que Cachoeiro ganhou, há décadas, o curioso apelido de “Capital Secreta do Mundo”.
Para quem está pensando em conhecer a cidade, reunimos alguns dos lugares e experiências que valem entrar no roteiro — da natureza à cultura, passando por histórias que só mesmo Cachoeiro poderia contar. Bora conhecer?
Pico do Itabira: a montanha que virou símbolo
Se existe uma imagem que imediatamente lembra Cachoeiro de Itapemirim , é a do Pico do Itabira. A formação rochosa de granito tem cerca de 700 metros de altitude e chama atenção pelo formato que lembra um dedo indicador apontado para o céu. De diferentes pontos da cidade, é possível avistá-la em meio às montanhas que formam a paisagem da região.

O Itabira é muito procurado por quem gosta de aventura. A área faz parte de um conjunto de formações rochosas com opções para trilhas, escaladas e contemplação da natureza.
Para quem prefere apreciar a paisagem sem encarar uma subida mais pesada, uma opção é o Eco Park Itabira. O espaço oferece passeio de jardineira até a região próxima ao pico, além de trilhas, passeio guiado e um mirante que se transforma em ponto privilegiado para observar o pôr do sol.

O parque fica localizado próximo à Rodovia do Contorno e à região da Rota do Itabira (BR-482). Funciona aos domingos e as atividades são feitas por agendamento. Há opções de almoço, café da tarde e passeio guiado. Para informações e reservas, o contato é pelo WhatsApp (28) 99253-5205.
Do Itabira para a mesa: a famosa bala de coco queimado
Quem estiver pela região pode aproveitar o passeio para conhecer uma tradição que também carrega o nome da montanha mais famosa da cidade: a bala de coco queimado Itabira.

O doce é daqueles produtos que acabaram se tornando parte da memória afetiva de Cachoeiro de Itapemirim e, ao longo dos anos, passaram a ser associados à própria identidade do município.
Produzida desde a década de 1950, a bala teve sua tradição resgatada pela família do empresário Rafael Rigon, que manteve o tradicional rótulo branco, estampado com a imagem do Pico do Itabira.
Quem quiser conhecer a produção de perto pode visitar a Rilu Doces, na Rodovia Governador Lacerda de Aguiar, Sítio Itabira, s/nº, no bairro Coronel Borges.
A fábrica recebe visitantes e funciona das 7h às 17h. O contato é pelo telefone (28) 99884-0601.
Piscinas naturais para fugir do calor
Conhecida pelas altas temperaturas e uma das cidades mais quentes do Espírito Santo, Cachoeiro também tem opções para quem quer se refrescar!
Ainda na região do Itabira, uma das atrações é o Sítio Águas do Itabira, que tem piscinas naturais abastecidas com água de nascente da própria montanha. O espaço ainda conta com toboáguas, bicas, restaurante e área de camping. A entrada custa R$ 20 e é uma opção acessível para aproveitar algumas horas de descanso em meio à natureza. Informações sobre horário de funcionamento no telefone (28) 99984-3130 ou no Instagram @aguasdoitabira.
Dinossauros em Cachoeiro?
A região do Itabira ainda pode ganhar uma atração completamente diferente das que já existem por ali. No início de 2026, a Prefeitura da cidade anunciou a criação de uma comissão especial para estruturar a implantação de um parque temático de dinossauros no município. A proposta prevê um complexo com hotel, restaurante e centro de convenções.
A previsão anunciada é de que o empreendimento possa entrar em funcionamento em até cinco anos. O projeto ainda está sendo estruturado, mas, se sair do papel, será mais uma opção turística para a região!
Cachoeira Alta: espetáculo da natureza
Outro passeio que merece espaço no roteiro é a Cachoeira Alta, no distrito de São Vicente. A principal atração é uma queda d’água impressionante, com cerca de 100 metros de altura.

O acesso pode ser feito pela BR-101, seguindo pela ES-375 na altura de Iconha. De lá, são aproximadamente 46 quilômetros até São Vicente, além de um trecho final até a entrada do parque. O local funciona todos os dias, das 7h às 17h, com entrada a R$10.
É permitido levar comida, lanches e até preparar churrasco, enquanto as bebidas devem ser adquiridas no próprio estabelecimento. O espaço também oferece Wi-Fi.
Para quem quiser transformar o passeio em uma pequena viagem, há opção de hospedagem na região, como o Camping Calango, que recebe barracas e veículos de recreação e permite a presença de animais, seguindo as regras do local.

Frade e a Freira: entre lendas, história e natureza
Quem passa pela BR-101 em direção ao Sul do Espírito Santo provavelmente já avistou, ao longe, as duas formações de granito que parecem estar frente a frente. É o Frade e a Freira, um dos monumentos naturais mais conhecidos do Estado, com cerca de 683 metros de altitude, na divisa entre Cachoeiro de Itapemirim, Itapemirim e Vargem Alta.
O formato das pedras deu origem à lenda mais famosa sobre o local. A história conta que um frade e uma freira se apaixonaram, mas, impedidos de viver o romance, foram transformados em pedra e permaneceram lado a lado. A versão ganhou força com um soneto do poeta cachoeirense Benjamin Silva, publicado no livro Escada da Vida, em 1938. Há ainda outra narrativa, apresentada pelo escritor Rodrigo Campaneli, em que a mulher seria uma indígena e o homem, um missionário.

A paisagem também chamou a atenção de Dom Pedro II, que fez um esboço da formação durante sua passagem pelo Espírito Santo, em 1860. Décadas depois, em 1986, a região foi reconhecida como Patrimônio Natural Cultural pelo Conselho Estadual de Cultura. Em 2007, foi criado o Monumento Natural O Frade e a Freira, garantindo proteção à área.
Dá para chegar perto das pedras?
Sim! Quem quiser ver o monumento de um ponto mais próximo pode acessar a região pela BR-101, nas proximidades do km 402. A estrada não é pavimentada e pode ficar mais difícil em períodos de chuva. Em condições normais, o trajeto de carro até o início da trilha leva cerca de dez minutos.

A visita ao mirante é gratuita e a caminhada até o ponto de observação dura cerca de cinco minutos. Lá de cima, a recompensa é uma vista panorâmica dos vales e montanhas do Sul do Estado.

Já para quem pensa em chegar ao topo da formação, o passeio exige experiência: há trechos de aderência e escalada, por isso a subida não é recomendada sem equipamentos e acompanhamento especializado.
Quem quiser estender o passeio pode se hospedar nos Chalés do Frade, que ficam aos pés do monumento e também contam com restaurante, com almoço self-service aos sábados, domingos e feriados.
O espaço fica na Rod. Campos-Vitória, Km 400, s/n – São Manoel do Frade. Telefone: (28) 99901-1959.
De volta à cidade, é hora de conhecer a Cachoeiro de Itapemirim do Rei!
Depois das montanhas e cachoeiras, o roteiro muda completamente de cenário. Cachoeiro também pode ser percorrida pelas histórias de seus personagens mais famosos — e, nesse quesito, Roberto Carlos ocupa um lugar especial.
A Casa de Cultura Roberto Carlos funciona na residência onde o cantor nasceu e passou parte da infância, no bairro Recanto. O imóvel preserva características da época em que a família vivia ali e reúne fotografias, discos, documentos, instrumentos, objetos pessoais e até boletins escolares do cantor entre os itens que ajudam a reconstruir os primeiros anos de vida do artista.

O espaço também preserva ambientes ligados à rotina da família, como o quarto e o fogão a lenha utilizado por sua mãe, Lady Laura. No segundo andar funciona ainda o Cantinho do Artesão, com produtos artesanais e doces.

A visita pode ser feita de terça a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 9h às 15h. Para visitas em domingos, segundas-feiras e feriados, é necessário agendamento pelo telefone (28) 3199-2005.
A casa de Rubem Braga
Se Roberto Carlos é o nome mais conhecido da música, Rubem Braga é um dos grandes personagens da literatura que Cachoeiro revelou.
A Casa dos Braga, no Centro, preserva a residência onde o cronista viveu com a família. O imóvel reúne móveis, livros, documentos e objetos do cotidiano dos Braga, além da máquina de escrever utilizada por Rubem. No jardim, o famoso pé de fruta-pão que aparece nas memórias e crônicas do escritor encantam os visitantes.

A família Braga chegou a Cachoeiro em 1913 e teve participação importante na vida política, cultural e intelectual do município. A casa foi adquirida pela Prefeitura em 1987 e tombada como patrimônio histórico municipal. Em 2011, passou também a integrar o patrimônio histórico estadual.
Uma visita ao local ajuda a entender por que a relação de Rubem com Cachoeiro apareceu tantas vezes em sua obra. A casa fica na rua 25 de Março, 166 – Centro, e pode ser visitada de segunda a sexta-feira das 9h às 18h. Sábados e feriados das 9h às 15h. Telefone: (28) 3155-5258.
A antiga estação e a memória dos trens
Ainda no Centro, o Museu Ferroviário Domingos Lage ocupa a antiga estação ferroviária e conta outra parte importante da história de Cachoeiro. O acervo reúne fotografias, documentos, objetos e peças relacionadas à ferrovia e ao desenvolvimento do Sul do Espírito Santo.

Durante décadas, os trilhos conectaram a região a Vitória e ao Rio de Janeiro e foram fundamentais para o transporte de passageiros e mercadorias. No início dos anos 1990, com o crescimento da cidade, a linha férrea deixou de passar pelo centro urbano, mas a antiga estação, permaneceu como lembrança daquele período.
O museu fica na Rua Coronel Francisco Braga, 71 – Guandú e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.
O som dos pássaros que virou tradição
Entre os passeios mais curiosos está a Fábrica de Pios Maurílio Coelho, criada em 1903. A fábrica é especializada na produção artesanal de pios de aves — pequenos instrumentos capazes de reproduzir sons de diferentes espécies. A tradição começou com Maurílio Coelho, que desenvolveu seus próprios modelos depois de estudar os sons dos pássaros e testar diferentes materiais.
O trabalho atravessou gerações da família e ganhou reconhecimento fora do Brasil. Desde 1972, os pios são exportados para países como Estados Unidos, Japão, Alemanha, Dinamarca e Coreia.

Ao longo dos anos, os instrumentos também viraram presentes para personalidades conhecidas, como Ana Maria Braga, Fernanda Montenegro, Hermeto Pascoal, Fernando Henrique Cardoso e tantos outros.
A fábrica fica na Rua Gastão Pimenta Coelho, 51, no bairro Ilha da Luz. O telefone de contato é (28) 3522-2259 e o WhatsApp é (28) 99979-3619. Mais detalhes podem ser conferidos no site oficial da Pios Maurílio Coelho.
Igrejas também entram no roteiro em Cachoeiro de Itapemirim
No centro da cidade, a Catedral de São Pedro é uma das construções que mais chamam atenção. Inaugurado em 1949, o templo tem arquitetura neogótica e grandes vitrais da Casa Conrado, com representações de passagens bíblicas ligadas a São Pedro, padroeiro de Cachoeiro.

A igreja foi escolhida como uma das Sete Maravilhas de Cachoeiro e continua sendo um dos principais símbolos religiosos da cidade.
Outra parada é a Igreja Nosso Senhor dos Passos, conhecida como Matriz Velha. A história do templo remonta ao século XIX. A capela foi inaugurada em 1884 e está ligada a personagens importantes da história capixaba, entre eles Bernardino Monteiro, Jerônimo Monteiro e Dom Fernando Monteiro.

O prédio é tombado como patrimônio histórico material do Espírito Santo.
Quem tiver mais tempo pode ampliar o passeio para os distritos…
Para quem quer fugir do calor e passar algumas horas em meio à natureza, Burarama é uma opção que vale entrar no roteiro. O distrito de Cachoeiro faz parte do Caminho das Águas, circuito que reúne lugares para conhecer, caminhar, descansar e, claro, se refrescar.
Entre os atrativos estão cachoeiras, poços e áreas cercadas por mata e grandes formações de pedra. Um dos destaques é a Cachoeira do Kiko, na localidade de Forquilha. Por lá, a água desce entre as pedras e forma um poço de águas cristalinas, cenário que combina com um banho nos dias de calor!

A cachoeira fica em uma propriedade particular, mas não é preciso pagar para entrar. Para chegar partindo da praça José Gava, em Burarama, percorre-se uma estrada de chão de 2 quilômetros até a entrada de uma pequena trilha na mata fechada, onde se dá o acesso.
Para quem chega pela primeira vez, vale ir sem pressa. Entre um ponto turístico e outro, Cachoeiro revela histórias e curiosidades que ajudam a enxergar a cidade para além de suas paisagens!










