O diretor de estratégia da OpenAI, Jason Kwon, afirmou nesta segunda-feira (17) que não é vantajoso para os Estados Unidos restringir o acesso de outros países a modelos de inteligência artificial avançados. A declaração foi dada durante evento da empresa em São Paulo, no hotel Rosewood, que marcou o início oficial das operações da OpenAI no Brasil.
Kwon fez referência a uma medida do governo de Donald Trump que, em junho deste ano, chegou a vetar o acesso de estrangeiros aos modelos Fable 5 e Mythos 5, da Anthropic — decisão da qual o governo americano depois recuou. Segundo o executivo, medidas semelhantes não devem se repetir.
Em entrevista a jornalistas por videoconferência, Kwon foi questionado sobre o risco de empresas brasileiras perderem acesso a modelos de IA por decisões inesperadas da Casa Branca ao fechar parcerias com a OpenAI. Ele respondeu: “É muito importante, em uma competição global, que o máximo de pessoas use sua tecnologia. Não é interessante para os Estados Unidos restringir o acesso a ela. Acho que eles [a Casa Branca] querem garantir que o uso dessa tecnologia seja alto em todo o mundo”.
O executivo afirmou que a OpenAI tem conseguido lidar bem com o governo Trump. Disse ainda que a equipe de relações governamentais da empresa trabalhou com a Casa Branca para o lançamento do ChatGPT 5.6 Sol, atual modelo de fronteira da companhia — termo usado para os modelos de IA mais avançados disponíveis no mercado —, obtendo autorização rápida para a expansão internacional.
Em conversa individual com a Folha de S.Paulo, Kwon foi questionado se as tarifas impostas pelo governo Trump ao Brasil, somadas às restrições já citadas, não tornariam empresas chinesas parceiras mais confiáveis. Ele respondeu: “Entendo o sentimento. Mas o melhor jeito de pensar sobre IA é como um investimento de longo prazo, não em termos de um ou dois anos. Ou seja, não é só o momento geopolítico [que importa]”.
Kwon ponderou também sobre a vantagem dos modelos chineses, que costumam ser abertos e gratuitos: “Você pode instalar os modelos chineses, mas depois está por conta própria. Os nossos modelos, mesmo que não sejam abertos, são tão competitivos quanto ou mais baratos algumas vezes do que os modelos chineses. Pode ser contraintuitivo, as pessoas pensam que ser aberto é o mesmo que ser grátis, mas não é assim que funciona”.
Segundo a OpenAI, o número de licenças corporativas da empresa no Brasil cresceu cinco vezes em relação ao ano passado. O volume de mensagens enviadas no país pelo ChatGPT subiu de 140 milhões por dia, no ano passado, para 215 milhões por dia neste ano, e o número de usuários no país dobrou no mesmo período. O português é hoje o terceiro idioma mais usado na ferramenta.
A empresa informou ainda, sem divulgar números, que o Brasil lidera o uso do ChatGPT Images no mundo e é o principal mercado da América Latina para o Codex, plataforma de programação da OpenAI.
Durante o evento, a OpenAI anunciou parcerias com instituições públicas e empresas brasileiras. Uma delas é o desenvolvimento, junto ao Nubank, de um “private banker” feito com IA — uma espécie de assessor bancário automatizado.
A empresa também revelou que duas instituições brasileiras vão integrar um projeto internacional de financiamento de 14 iniciativas de pesquisa. Com recursos da OpenAI, o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) vai estudar o que instituições científicas precisam para transformar o uso de IA em progresso efetivo na pesquisa. Já o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP vai avaliar o uso da tecnologia em fluxos clínicos, organização de informações e orientação de pacientes.
Com informações de São Paulo, FolhaPress – Maurício Meirelles










