Um português, de 49 anos, identificado como Alexandre José de Oliveira Paulo Mendes, é investigado por aplicar golpes em dezenas de pessoas que buscavam obter a cidadania portuguesa no Espírito Santo. Segundo a Polícia Civil, ele cobrava entre R$ 7 mil e R$ 10 mil pelo serviço e, depois de receber o dinheiro e os documentos originais dos clientes, desaparecia e não fazia mais contato.
O suspeito foi preso na última sexta-feira (14), dentro de um avião que pousava no Aeroporto de Vitória. Os detalhes das investigações foram divulgados em entrevista coletiva nesta terça (18).
As apurações sobre o caso começaram em março deste ano, depois que uma vítima procurou a polícia e contou que havia contratado o homem há cerca de um ano, para dar início ao processo da cidadania. Segundo o relato, depois de entregar os documentos e pagar pelo serviço, ela perdeu o contato com o suspeito e descobriu que havia sido bloqueada por ele no telefone.
A partir desse primeiro caso, os investigadores encontraram outras pessoas no Espírito Santo que relatavam problemas semelhantes e chegaram até o suspeito.
Durante a investigação, a polícia descobriu que Alexandre havia deixado o Brasil por um período, depois, retornado para o país, e que estava morando há poucas semanas, em São Paulo.
Como o golpe funcionava?
Segundo a investigação, Alexandre se apresentava como um despachante, alguém que poderia cuidar de todo o processo para obtenção da cidadania portuguesa. Ele teria utilizado um endereço de e-mail falso, muito parecido com o utilizado oficialmente pelo Consulado de Portugal, para convencer as vítimas de que os pedidos haviam sido iniciados.
Depois de pagar pelo serviço e entregar os documentos originais, as vítimas recebiam as mensagens por esse e-mail falso e acreditavam que o processo estava em andamento.

Como os pedidos de cidadania portuguesa podem levar bastante tempo, segundo a polícia, os clientes acabavam esperando antes de perceber que havia algo errado. Nesse período, o suspeito teria conseguido fazer novas vítimas.
A polícia afirma ainda que o investigado já havia trabalhado anos atrás como despachante e realizado regularmente processos de cidadania. Por isso, teria conhecimento sobre como o procedimento funcionava.
Ele também se apresentava como presidente da Associação Capixaba de Portugueses. De acordo com os investigadores, ele ainda tinha registro na Junta Comercial e mantinha páginas nas redes sociais, que eram usadas para chegar às pessoas interessadas na cidadania.
A atuação fazia com que o homem fosse visto como uma referência pelas vítimas, que acreditavam estar contratando alguém com experiência no assunto.
Dezenas de documentos originais encontrados
Na primeira fase da Operação, intitulada de Herança Lusitana, realizada em 22 de julho, a polícia cumpriu um mandado de busca no apartamento do investigado, em São Paulo.
No imóvel, foram encontrados dezenas de documentos originais das vítimas capixabas que já haviam sido identificadas. Além deles, os investigadores localizaram outros documentos, que ainda estão sendo analisados.

Segundo a polícia, além do prejuízo financeiro, o golpe ainda causava um grande transtorno às vítimas, já que o suspeito ficava com os documentos originais, impedindo que as pessoas tentassem dar entrada no processo de cidadania por outros meios.
O que o suspeito alegou?
Ao ser questionado, Alexandre afirmou aos policiais que havia iniciado os processos e que a demora seria normal. A versão, porém, não convenceu os investigadores.
Inicialmente, ele não foi preso. Porém depois, com a conclusão das investigações, a Justiça emitiu um mandado de prisão preventiva, até que o suspeito foi capturado.
Como a polícia já acompanhava os passos do investigado, os agentes foram até o Aeroporto de Vitória e conseguiram prendê-lo dentro da aeronave, logo após o pouso, na semana passada.
Alexandre foi indiciado por estelionato, sendo um dos casos agravado por envolver uma vítima idosa.
Polícia acredita que número de vítimas pode aumentar
Agora, a investigação continua e a Polícia Civil acredita que o número de vítimas pode ser maior. Entre os documentos encontrados em São Paulo estão registros de pessoas de outros estados, o que também será analisado pelos investigadores.
Quem acredita ter sido vítima do suspeito deve procurar o 3º Distrito Policial da Praia do Canto, em Vitória, que está concentrando a apuração dos casos. Denúncias anônimas também podem ser feitas pelo telefone 181.










