Começou nesta terça-feira (3), no Fórum Criminal de Vitória, o julgamento de Patrick Noé dos Santos Filgueira, acusado de matar a esposa, a professora Danielly Wandermurem Benício, em dezembro de 2017. O réu responde por homicídio qualificado por motivo torpe e feminicídio.
Durante a manhã, foi realizado o sorteio dos sete jurados que compõem o Conselho de Sentença, sendo quatro homens e três mulheres. Ao todo, 11 testemunhas foram dispensadas, seis pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) e cinco pela defesa.
Neste momento, o júri está na fase de depoimentos, com a oitiva da primeira testemunha, o perito responsável pelo laudo do local onde a professora foi encontrada morta.
A expectativa é de que o julgamento se estenda por alguns dias, devido ao volume de provas e ao número de testemunhas inicialmente indicadas, que chegava a 25 pessoas.
Embora o feminicídio tenha passado a ser considerado crime autônomo em 2024, com pena de 20 a 40 anos de prisão, Patrick é julgado conforme a legislação vigente à época do crime, quando o feminicídio ainda era uma qualificadora do homicídio.
Relembre o caso
O crime ocorreu na noite de 29 de dezembro de 2017, no bairro Jardim Camburi, em Vitória. Segundo a denúncia do MPES, Patrick e Danielly mantinham um relacionamento conturbado e tiveram uma discussão motivada por ciúmes.
A acusação aponta que o réu apresentava comportamento controlador e monitorava as redes sociais da esposa por meio de um aplicativo de mensagens clonado.
Na noite do crime, Patrick deixou o apartamento acompanhado de familiares, alegando que precisava procurar atendimento médico devido a dores provocadas por uma cirurgia recente.
Mais tarde, retornou ao imóvel acompanhado de um parente, sob o pretexto de buscar um notebook. Após pegar o equipamento, voltou novamente ao apartamento, alegando ter esquecido outro objeto, momento em que ficou sozinho com Danielly.
De acordo com a investigação, imagens de câmeras de segurança indicaram que ninguém entrou ou saiu do apartamento até o dia seguinte, quando Patrick e o parente que o acompanhava retornaram ao local e encontraram o corpo da professora.
O acusado chegou a ser preso, mas foi solto posteriormente e passou a responder ao processo em liberdade.










