O julgamento de Bruna Garcia Barbosa Marinho, acusada de tentar matar o médico cardiologista Victor Murad por envenenamento com arsênio, foi interrompido no final da noite desta segunda-feira (26), no Fórum Criminal de Vitória.
A Justiça determinou a dissolução do Conselho de Sentença após um pedido do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que apontou insuficiência de defesa técnica da acusada.
Bruna responde por tentativa de homicídio qualificado, com acusações que incluem motivo torpe, emprego de veneno, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, intenção de assegurar a impunidade ou vantagem de outro crime e crime contra pessoa idosa.
Com a dissolução do Conselho de Sentença, o julgamento não foi concluído. Uma nova data para a sessão ainda não foi informada.
Entenda o caso
Segundo a denúncia do MPES, Bruna trabalhava desde 2013 como secretária no consultório de Victor Murad, onde era responsável pela administração financeira. Durante esse período, ela teria desviado aproximadamente R$ 544 mil das contas do médico ao longo de 12 anos.
Ainda conforme a acusação, quando os desvios estavam prestes a ser descobertos, a funcionária teria começado a envenenar o cardiologista, misturando arsênio à comida e à água de coco servidas na clínica. O objetivo, segundo o Ministério Público, seria provocar a morte da vítima para evitar a descoberta dos supostos crimes financeiros.
O médico passou a apresentar problemas de saúde recorrentes, como dores intensas no estômago, anemia, fraqueza, vômitos com sangue e agravamento dos sintomas de Parkinson. As complicações o levaram a fechar a clínica que mantinha havia mais de 30 anos.
As suspeitas ganharam força após a descoberta de um frasco de arsênio em um depósito da clínica. De acordo com o MPES, o produto havia sido comprado em nome do marido da acusada.
Exames toxicológicos também apontaram que o médico sofreu intoxicação contínua por pelo menos 15 meses.
Bruna foi presa em outubro de 2025. O Ministério Público afirma que continuará atuando no processo para buscar a responsabilização da acusada, respeitando as etapas legais.










