Ação movida pelo fundador e ex-presidente da Apex Partners, Fernando Antonio Kulnig Cinelli, para exibição de documentos será analisada no mesmo juízo que conduz o pedido cautelar do grupo financeiro, que enfrenta um rombo financeiro estimado em cerca de R$ 1 bilhão.
A disputa judicial em torno da crise na Apex Partners ganhou um novo capítulo processual. A 7ª Vara Cível de Vitória declinou da competência para julgar a ação de produção antecipada de provas movida porCinelli, determinando a transferência dos autos para a Vara de Recuperação Judicial e Falência da Comarca de Vitória.
A decisão, proferida nesta quarta-feira (26) pelo juiz Marcos Assef do Vale Depes, acolhe o princípio da prevenção e da conexão processual. Como o Grupo Apex já havia ajuizado uma medida cautelar antecedente à recuperação judicial em 6 de agosto no juízo especializado — onde foi nomeada uma administração judicial para auditar as contas e onde já pesam ordens de bloqueio de bens e quebra de sigilo bancário contra Cinelli —, o magistrado entendeu que todas as demandas sobre o acervo documental do grupo devem ser centralizadas na mesma vara para evitar decisões conflitantes.
A origem da crise e o rombo de R$ 1 bi
A turbulência no ecossistema financeiro capixaba tornou-se pública em 6 de agosto de 2026. Na ocasião, a Apex Partners anunciou a identificação de inconsistências financeiras internas e um passivo estimado em cerca de R$ 1 bilhão (R$ 985,6 milhões).
A revelação culminou no afastamento imediato de Fernando Cinelli da presidência do grupo e de Eduardo Siqueira da diretoria financeira, sob alegações da nova gestão de gestão temerária e falta de transparência nos balanços. Pouco depois da eclosão do caso, parcerias comerciais importantes foram interrompidas, como a distribuição de produtos via BTG Pactual.
Guerra de narrativas na Justiça
Desde o afastamento, a crise desdobrou-se em uma batalha jurídica entre a nova diretoria da Apex e seu fundador. Enquanto o Grupo Apex busca a responsabilização de Cinelli e a blindagem contra credores por meio dos dispositivos da Lei de Falências e Recuperação Judicial, o ex-presidente contesta as acusações e alega ter sido exposto sem direito à ampla defesa prévia.
Na ação de produção antecipada de provas iniciada em 12 de agosto, a defesa de Cinelli argumenta que as decisões estratégicas da companhia passavam por comitês e grupos de trabalho, buscando a exibição de atuações e documentos internos para demonstrar que não agia de forma isolada.
Com a decisão da 7ª Vara Cível, caberá agora ao Juízo da Vara de Recuperação Judicial e Falência reapreciar os pedidos de urgência formulados por Cinelli para acesso à documentação contábil e societária.
Por nota a defesa de Fernando Cinelli “reforça a necessidade de uma apuração documental independente sobre os dados das empresas e sobre a cadeia de informações e decisão dentro da Apex. Foi justamente com esse objetivo que ajuizou ação para que sejam preservados e exibidos os documentos capazes de esclarecer o funcionamento das operações e os respectivos centros de decisão e responsabilidade. Cinelli reafirma sempre ter exercido sua posição executiva no grupo com seriedade e transparência e reitera seu total comprometimento com a elucidação dos fatos”, diz na íntegra.










