Polícia capixaba investiga três mortes suspeitas por intoxicação de fentanil

A Polícia Científica e a Polícia Civil do Espírito Santo investigam o desvio de fentanil da rede de saúde e o uso do opioide sintético para adulterar drogas ilícitas no Estado. O medicamento, restrito a ambientes hospitalares e de UTI por ter potência até 100 vezes superior à da morfina, foi apreendido em ocorrências ligadas ao tráfico na Grande Vitória e em Rio Novo do Sul.

Nos últimos cinco anos, o Laboratório de Química Forense (Labquim) analisou materiais de 22 apreensões de fentanil. A maioria das ocorrências concentrou-se nos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana e Guarapari.

Pelo menos três mortes de pessoas por suspeita de uso da substância estão sendo investigadas no Estado.

Desvio em hospitais e adulteração de drogas de rua

Polícia capixaba investiga três mortes suspeitas por intoxicação de fentanilAs perícias do Labquim confirmam que o fentanil apreendido no Estado é oriundo de ampolas comerciais desviadas de unidades de saúde. Em parte dessas operações, os peritos identificaram o opioide misturado a amostras de cocaína apreendidas com os suspeitos.

A adulteração de entorpecentes de rua com fentanil aumenta o poder aditivo da droga vendida ao consumidor e eleva o risco de overdose por ingestão involuntária. A Polícia Civil mantém investigações em andamento para mapear as rotas de entrada, identificar os grupos criminosos e interromper a cadeia de distribuição. Em razão das apurações, os detalhes estratégicos das operações são mantidos em sigilo.

Em 2026, a Polícia Científica capixaba emitiu uma notificação ao Sistema de Alerta Rápido (SAR), ligado à Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), formalizando a identificação de fentanil em amostras de cocaína no Espírito Santo.

Mortes confirmadas e casos sob apuração em 2026

O acesso indevido ao medicamento também provocou óbitos no ambiente de trabalho. Dados do Laboratório de Toxicologia Forense (Labtox) confirmam que 12 profissionais da saúde morreram por intoxicação por fentanil nos últimos cinco anos no Estado. Todas as vítimas tinham acesso direto à substância em função de suas atividades profissionais.

Em 2026, três mortes suspeitas passam por apuração técnica. O Labtox realiza exames em amostras biológicas para verificar a presença do produto. A corporação ressalta que a detecção da substância em laudo laboratorial não confirma isoladamente a causa do óbito, dependendo de análise conjunta com o laudo médico-legal e o contexto da ocorrência.

Risco clínico e monitoramento em saúde

A mistura de fentanil a outras substâncias amplia a gravidade dos atendimentos de emergência nos prontos-socorros. O tratamento de overdose por opioides exige o uso imediato de naloxona, medicação antagonista que reverte o colapso respiratório. Contudo, quando o paciente e a equipe médica desconhecem a presença da droga no organismo, a resposta terapêutica é prejudicada.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e os órgãos de vigilância sanitária mantêm o acompanhamento da circulação do insumo e reforçam a exigência do controle rigoroso de estoque de medicamentos sujeitos a controle especial em hospitais e clínicas.

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