ES registra alta de 45,8% nos casos de intolerância religiosa

A polêmica recente envolvendo Nossa Senhora Aparecida e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) colocou o respeito às diferentes crenças e a intolerância religiosa no debate eleitoral. Publicações nas redes sociais atribuíram ao senador a intenção de retirar da santa o título de padroeira do Brasil.

A informação é falsa e foi negada pelo candidato: a proposta citada nas postagens foi apresentada por outro parlamentar, em 2007, e está arquivada. O episódio trouxe à discussão os limites entre manifestação religiosa, disputa política e desinformação.

No Espírito Santo, os registros de crimes de intolerância religiosa cresceram nos primeiros oito meses deste ano. Dados do Portal BI da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), reunidos em levantamento atualizado até 31 de agosto, apontam 35 ocorrências em 2026. Entre janeiro e agosto de 2025, foram 24, uma alta de 45,8%.

O número registrado até agosto já supera o total de todo o ano de 2023, quando houve 31 ocorrências. Em 2024, foram contabilizados 43 casos e, em 2025, outros 44.

Na comparação entre os anos completos de 2023 e 2025, o aumento foi de 41,9%.

Março concentrou o maior número de registros neste ano, com sete ocorrências, seguido por maio, com seis, e agosto, com cinco. Janeiro e fevereiro tiveram quatro casos cada. Abril, junho e julho contabilizaram três ocorrências por mês.

Imagens de santos destruídas em Vitória

ES registra alta de 45,8% nos casos de intolerância religiosa
Foto: Divulgação PCES

Um dos casos de maior repercussão no ES no último ano aconteceu em 11 de dezembro, quando uma mulher foi flagrada destruindo objetos religiosos na Igreja Santa Rita de Cássia, na Praia do Canto. Fotos divulgadas pela Polícia Civil mostraram a mulher entrando no templo e derrubando imagens de santos e outros objetos.

Segundo os relatos de frequentadores publicados à época, ela subiu até o coro, quebrou um vidro e derrubou a imagem de São José. Depois, no altar principal, atingiu uma imagem de Nossa Senhora, a Bíblia utilizada nas celebrações, velas e a imagem de Santa Rita de Cássia, padroeira da igreja. A ação foi rápida, e a mulher deixou o local em seguida.

Um dia após o crime, a mulher foi localizada e levada para a delegacia, onde foi ouvida e liberada. Segundo a Polícia Civil, a suspeita não foi presa pois a legislação brasileira estabelece que a prisão deve ocorrer em situações de flagrante delito ou mediante mandado de prisão. No caso em questão, nenhuma dessas situações se configurou.

Karla Silveira
Karla Silveira
Jornalista graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), pós-graduada em Análise de Cenários e Marketing Estratégico.

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