O Espírito Santo apresentou o pior resultado do país no indicador de uso recente de drogas entre estudantes de 13 a 17 anos. Em 2024, 5,46% dos adolescentes capixabas nessa faixa etária relataram ter usado drogas nos 30 dias anteriores à pesquisa, percentual que colocou o Estado na 27ª posição entre as unidades da Federação.
O dado integra o estudo “Eleições 2026: Indicadores Estaduais”, lançado nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS). O levantamento reúne 228 indicadores econômicos e sociais e revela que problemas relacionados a adolescentes aparecem com frequência entre os resultados menos favoráveis do Espírito Santo.
Levantamento do ES Hoje sobre a base mostra que o Estado está entre as nove UFs com piores resultados em 38 indicadores. A maior concentração ocorre em Segurança, com 20, seguida por Saúde, com dez.
Os números não significam que o Espírito Santo esteja entre os piores estados do país de forma geral. A classificação do IMDS é feita separadamente para cada indicador, considerando o dado mais recente disponível.
Uso de drogas cai, mas ES vai para última posição
O resultado sobre drogas chama atenção também quando observado ao longo do tempo. Em 2019, 5,82% dos estudantes capixabas de 13 a 17 anos haviam relatado consumo de drogas nos 30 dias anteriores à pesquisa. Naquele momento, o Estado ocupava a 22ª posição.
Em 2024, o percentual caiu para 5,46%, mas o Espírito Santo passou para a última posição. Isso ocorre porque a classificação depende também do desempenho das demais unidades da Federação.
No dado mais recente, São Paulo registrou 4,09%; Rio de Janeiro, 3,81%; e Minas Gerais, 3,32%.
Outro indicador reforça a exposição dos adolescentes às drogas: 17,53% dos estudantes capixabas informaram ter amigos usando drogas ilícitas em sua presença. O resultado deixou o Espírito Santo na 26ª posição nacional.
O consumo recente de bebida alcoólica também aparece entre os indicadores menos favoráveis. Em 2024, 23,40% dos estudantes de 13 a 17 anos disseram ter consumido álcool pelo menos uma vez nos 30 dias anteriores à pesquisa, colocando o Estado na 23ª posição.
Violência entre meninas cresce
Os dados sobre violência mostram uma mudança expressiva principalmente entre as adolescentes.
Em 2019, 0,50% das meninas capixabas de 13 a 17 anos relataram envolvimento em brigas nas quais alguém utilizou arma de fogo. Naquele levantamento, o Espírito Santo apresentava o melhor resultado do país.
Cinco anos depois, o percentual chegou a 3,50% e o Estado passou para a 26ª posição.
Também cresceu a proporção de meninas que relataram agressões físicas praticadas por colegas. O índice passou de 10,57% em 2019 para 18,25% em 2024. A posição do Espírito Santo caiu da 12ª para a 26ª.
No levantamento mais recente, Minas Gerais registrou 11,77%; São Paulo, 16,75%; Espírito Santo, 18,25%; e Rio de Janeiro, 20,88%.
Insegurança afasta estudantes da escola
Outro conjunto de indicadores chama atenção para a relação entre violência e ambiente escolar.
Em 2024, 14,68% das meninas de 13 a 17 anos no Espírito Santo disseram ter deixado de ir à escola por não se sentirem seguras no trajeto. O Estado ficou na 25ª posição nacional.
Cinco anos antes, o percentual era de 11,20%, quando o Espírito Santo ocupava a décima posição.
Também aumentou a proporção de estudantes matriculados em escolas que precisaram suspender aulas por episódios de violência. O índice saiu de 3,90% em 2019 para 11,41% em 2024, enquanto a posição capixaba passou da 9ª para a 23ª.
A diferença dentro do Sudeste é significativa. Em 2024, Minas Gerais registrou 1,43% de estudantes nessa situação e São Paulo, 3,57%. No Espírito Santo foram 11,41%, enquanto o Rio de Janeiro chegou a 25,56%.
Os indicadores, isoladamente, não permitem concluir que o aumento de um tipo de violência provoque outro ou estabelecer relação de causa e efeito entre drogas, insegurança e ocorrências no ambiente escolar. Eles mostram, porém, a presença simultânea de diferentes situações de vulnerabilidade entre adolescentes.
Uso de preservativo também preocupa
O levantamento traz ainda dados sobre comportamento sexual.
Entre os estudantes homens de 13 a 17 anos que já haviam tido relação sexual, 52,60% relataram uso de preservativo na última relação em 2024. Foi o menor percentual entre as 27 unidades da Federação.
Em 2019, o índice capixaba era de 59,26%, uma redução de aproximadamente 6,7 pontos percentuais em cinco anos.
Na comparação com o Sudeste, São Paulo registrou 62,40%; Minas Gerais, 57,30%; Rio de Janeiro, 53,44%; e Espírito Santo, 52,60%.
Quando considerados estudantes de ambos os sexos, o percentual capixaba de uso de preservativo foi de 51,17%, resultado que colocou o Estado na 26ª posição.
ES tem 38 indicadores no grupo inferior
O painel do IMDS divide os 228 indicadores em 12 áreas e permite acompanhar tanto a situação mais recente quanto a evolução histórica das unidades da Federação. Os anos de referência variam conforme o indicador e a disponibilidade das bases utilizadas.
No recorte do ES Hoje, entre os indicadores que permitem classificação do Espírito Santo, 38 colocam o Estado entre as nove UFs com resultados menos favoráveis. Vinte estão relacionados à Segurança e dez à Saúde.
O mesmo estudo, porém, apresenta um retrato diferente em outras áreas. O Espírito Santo aparece entre os nove melhores resultados do país em 76 indicadores, com destaque para Educação, em que 25 dos 32 indicadores classificados colocam o Estado no grupo superior.
Os dois cenários fazem parte do mesmo levantamento e mostram diferenças importantes entre áreas das políticas públicas e condições sociais no Estado.










