Enquanto o número de acidentes diminuiu na BR-101 no trecho entre o Espírito Santo e a Bahia, um tipo de ocorrência seguiu na direção contrária: os incêndios em veículos. Entre janeiro e julho deste ano, foram registrados 48 casos de veículos em chamas, contra 29 no mesmo período de 2025. O aumento foi de 65,5%.
Os números fazem parte do Book de Dados da Ecovias Capixaba. O crescimento chama atenção porque ocorreu em um período de redução dos principais indicadores de acidentes na rodovia.
Nos primeiros sete meses de 2026, a BR-101 registrou 1.977 acidentes, 15,7% menos que os 2.346 contabilizados no mesmo intervalo do ano passado. O número de feridos caiu 16,7%, de 1.358 para 1.131, enquanto as mortes diminuíram 10,7%, passando de 75 para 67.
Entre as dez principais causas ou tipos de acidentes apresentados pela concessionária, oito tiveram redução. Além dos veículos em chamas, somente as quedas de motocicletas cresceram, passando de 206 para 208 ocorrências, alta de 1%.
Por que um veículo pode pegar fogo?
O levantamento da Ecovias Capixaba não informa as causas dos 48 casos registrados na BR-101. Por isso, não é possível afirmar o que provocou o aumento de 65,5%. Especialistas e órgãos de segurança, no entanto, apontam falhas elétricas e mecânicas, vazamentos de combustível ou óleo e superaquecimento entre os fatores associados a incêndios em veículos.
Problemas no sistema elétrico estão entre os principais pontos de atenção. Curtos-circuitos, fios com isolamento comprometido e instalações inadequadas de acessórios podem gerar calor ou faíscas e iniciar as chamas. Alterações feitas fora das especificações do fabricante também podem sobrecarregar o sistema elétrico.
Vazamentos representam outro risco. Mangueiras ressecadas, conexões danificadas ou outros defeitos podem permitir que combustível ou óleo cheguem a regiões quentes do motor. O superaquecimento provocado por problemas no sistema de arrefecimento também aparece entre as situações que podem contribuir para incêndios.
A idade do veículo pode aumentar a necessidade de atenção a alguns componentes. Com o passar dos anos, mangueiras, borrachas, fios e conexões podem sofrer desgaste e ressecamento. Isso não significa que veículos novos estejam livres do risco: defeitos em componentes e instalações elétricas inadequadas também podem provocar problemas.
A manutenção preventiva é apontada como uma das principais formas de reduzir os riscos. Revisões dos sistemas elétrico, de alimentação de combustível e de arrefecimento ajudam a identificar vazamentos, componentes deteriorados e outras falhas antes que provoquem uma situação mais grave.
Acidentes diminuíram
Apesar do crescimento dos incêndios, os dados gerais mostram redução dos acidentes na BR-101. A colisão traseira continuou sendo o tipo mais frequente, com 461 registros, mas caiu 20,4% na comparação com 2025.
As colisões laterais somaram 316 ocorrências, redução de 19%, enquanto os choques contra objetos fixos chegaram a 222, queda de 6,3%.
As quedas de motocicletas aparecem na sequência, com 208 registros. Os motociclistas também representam 44% das 67 vítimas fatais contabilizadas entre janeiro e julho. Ocupantes de carros e caminhões correspondem a 34% e pedestres e ciclistas, a 22%.
Os atropelamentos de pedestres foram responsáveis por 15 mortes e aparecem como o tipo de acidente com maior número de vítimas fatais no período. Em seguida estão as colisões frontais, com 11 mortes, e as laterais, com dez.










