O herpes-zóster, doença causada pelo vírus da varicela-zóster, o mesmo da catapora, tem provocado milhares de atendimentos no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados à Coluna Esplanada. Neste ano, foram registrados 49.720 atendimentos ambulatoriais no país, dos quais 3.060 resultaram em internações.
No Espírito Santo, dados da vigilância epidemiológica apontam 620 casos confirmados de varicela, com incidência de 16,19 casos por 100 mil habitantes, considerando a população de 3.833.712 pessoas, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As informações constam no boletim epidemiológico de 23 de setembro de 2026 do Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen-ES), que monitora o vírus da varicela-zóster por meio de boletins periódicos de vigilância laboratorial de doenças cutâneas e neuroinvasivas.

De acordo com o laboratório, os dados apontam uma ocorrência heterogênea entre os municípios capixabas, com registros localizados. O órgão ressalta que o cenário não deve ser interpretado como um único surto em todo o Estado, mas como a ocorrência de surtos e situações específicas em determinadas localidades.
Diferença entre varicela e herpes-zóster
A varicela, conhecida como catapora, e o herpes-zóster são causados pelo mesmo vírus, o varicela-zóster, mas apresentam manifestações diferentes.
A varicela é a infecção inicial pelo vírus e ocorre, principalmente, na infância. Entre os sintomas estão febre, coceira intensa e lesões na pele que evoluem para pequenas bolhas espalhadas pelo corpo. A doença é altamente contagiosa e pode ser transmitida pelo ar ou pelo contato direto com as lesões.
Já o herpes-zóster é resultado da reativação do vírus, que permanece inativo no organismo, alojado nos gânglios nervosos, após a infecção inicial. A reativação pode ocorrer ao longo da vida, especialmente com o avanço da idade ou em situações de comprometimento do sistema imunológico.
A doença costuma provocar dor, queimação e o aparecimento de bolhas agrupadas em uma região específica do corpo, geralmente em apenas um dos lados do tórax ou do rosto.
Cenário no Espírito Santo
Conforme o boletim de Vigilância Laboratorial de Doenças Virais do Lacen-ES, que analisou amostras coletadas entre 4 de janeiro e 5 de setembro de 2026, foram realizados 390 testes para diagnóstico molecular do vírus da varicela-zóster.
Desse total, 117 amostras tiveram resultado positivo, o equivalente a 30% dos exames realizados no período.
A maior concentração de amostras detectáveis foi registrada entre pessoas de 12 a 18 anos e de 19 a 30 anos. A distribuição por sexo foi semelhante, com 52,14% dos registros entre homens e 47,86% entre mulheres.
Vacinação
A vacina contra o herpes-zóster ainda não é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O sistema público, no entanto, oferece atendimento e tratamento gratuitos para a doença.
Na rede particular, o preço da vacina no Espírito Santo varia, em média, de R$ 850 a R$ 975 por dose, conforme os valores informados no levantamento.
No início de setembro, o Senado aprovou o Projeto de Lei (PL) 4.426/2025, de autoria da senadora Dra. Eudócia (União-AL), que propõe a inclusão da vacina contra o herpes-zóster no calendário de imunização do SUS. A proposta prevê ampliar o acesso ao imunizante, mas ainda depende das etapas seguintes de tramitação para que a medida possa entrar em vigor.










