AVC: reconhecer os sinais pode evitar sequelas e salvar vidas

Uma pessoa está conversando normalmente quando, de repente, começa a enrolar as palavras. Em outra situação, alguém percebe que não consegue levantar um dos braços ou que um lado do rosto perdeu os movimentos. Essas alterações, muitas vezes confundidas com um mal-estar passageiro, podem indicar um acidente vascular cerebral (AVC). E, nesses casos, esperar para ver se os sintomas desaparecem pode comprometer as chances de recuperação.

No Dia Mundial do AVC, celebrado nesta quinta-feira (29), neurologistas reforçam que o reconhecimento precoce dos sintomas é uma das principais ferramentas para evitar sequelas graves e mortes. A doença ocorre quando o fornecimento de sangue a uma região do cérebro é interrompido pelo entupimento de um vaso sanguíneo, no chamado AVC isquêmico, ou quando há rompimento de um vaso, provocando um AVC hemorrágico.

Em ambas as situações, o funcionamento cerebral pode ser comprometido rapidamente, com consequências que incluem dificuldades de fala, perda de movimentos, limitações permanentes e até a morte.

“O AVC é uma emergência médica em que cada minuto importa. Quanto mais rápido o paciente recebe atendimento, maiores são as possibilidades de reduzir os danos ao cérebro. Por isso, conhecer os sinais de alerta é fundamental para que a pessoa e quem está ao seu redor saibam como agir”, orienta o neurologista Jasson Neto, da Bluzz Saúde.

Sinais que não podem ser ignorados

A manifestação do AVC costuma ser súbita. Entre os sintomas mais frequentes estão fraqueza ou dormência em um lado do corpo, desvio da boca, dificuldade para falar ou compreender palavras, alterações na visão, tontura intensa e perda de equilíbrio. Uma dor de cabeça repentina e muito forte, sem causa aparente, também exige atenção.

Segundo o neurologista Waldemar Carlos Barros de Algemiro, da Unimed Sul Capixaba, a rapidez com que os sintomas aparecem é uma característica importante para identificar a emergência.

“O AVC acontece de forma súbita. A pessoa pode estar bem e, de repente, apresentar dificuldade para falar, alteração na força de um lado do corpo, desvio da boca ou perda de equilíbrio. Diante de uma mudança desse tipo, não se deve esperar para observar se vai melhorar. É preciso procurar atendimento imediatamente”, explica.

Uma forma simples de reconhecer alguns dos sinais é pedir que a pessoa sorria, levante os dois braços e repita uma frase. Um sorriso assimétrico, a incapacidade de manter um dos braços levantado ou uma fala alterada são motivos para acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192.

Mesmo quando os sintomas desaparecem após alguns minutos, o risco não deve ser descartado. O episódio pode representar um ataque isquêmico transitório (AIT), conhecido popularmente como mini-AVC, que exige investigação médica por estar associado a um risco aumentado de AVC.

“O que preocupa é justamente quando o sintoma aparece de repente. Mesmo que a pessoa melhore alguns minutos depois, isso não significa que o problema deixou de existir. Uma avaliação médica é necessária para entender o que aconteceu e definir a conduta adequada”, ressalta Waldemar.

 

Atendimento rápido faz diferença

A velocidade do atendimento é determinante para a escolha do tratamento. A tomografia computadorizada é um dos principais exames utilizados para diferenciar o AVC isquêmico do hemorrágico, já que cada tipo exige uma abordagem específica.

Em Cachoeiro de Itapemirim, o Hospital da Unimed Sul Capixaba reduziu de aproximadamente 60 a 70 minutos para 30 a 35 minutos o intervalo entre a chegada de pacientes com suspeita de AVC e a realização da tomografia.

A unidade conta com uma Unidade Coronariana e Neurointensiva (UCON), destinada também ao atendimento de pacientes neurológicos graves, e recebeu a certificação internacional Angels, relacionada à qualidade da assistência ao AVC.

A redução desse intervalo é importante porque permite acelerar a investigação e a definição da conduta médica. Entretanto, o tempo até o início do tratamento também depende do reconhecimento dos sintomas e da rapidez com que o paciente chega ao serviço de saúde.

Prevenção começa no dia a dia

Embora o AVC seja frequentemente associado a uma emergência inesperada, muitos dos fatores que favorecem seu aparecimento podem ser controlados. Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, excesso de peso e consumo excessivo de álcool estão entre os principais.

Doenças cardíacas também merecem atenção. A fibrilação atrial, uma alteração do ritmo do coração, pode favorecer a formação de coágulos que, ao chegarem ao cérebro, provocam a obstrução de vasos sanguíneos.

“Cuidar da saúde cardiovascular é uma das principais formas de reduzir o risco de AVC. Manter a pressão arterial e o diabetes controlados, acompanhar os níveis de colesterol, praticar atividade física e adotar uma alimentação equilibrada são medidas importantes. As consultas regulares também ajudam a identificar fatores de risco e orientar o tratamento adequado”, afirma Jasson Neto.

Para Waldemar, o acompanhamento precisa ser contínuo, especialmente entre pessoas com histórico familiar de AVC ou doenças crônicas já diagnosticadas.

A prevenção, portanto, envolve tanto mudanças de hábitos quanto o diagnóstico e o tratamento adequado de condições que podem evoluir silenciosamente. Já diante de qualquer sinal suspeito, a orientação é não tomar medicamentos por conta própria, não esperar a melhora espontânea e buscar socorro imediatamente.

O conhecimento sobre os sintomas pode fazer diferença não apenas para quem sofre o AVC, mas também para familiares, amigos e pessoas que presenciam a emergência. Afinal, muitas vezes é alguém próximo quem percebe primeiro que há algo errado e toma a iniciativa de pedir ajuda.

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