Um estudo publicado no British Journal of Nutrition identificou uma associação entre a alimentação e a miopia em adolescentes. A análise incluiu 2.473 participantes de 12 a 18 anos nos Estados Unidos e encontrou chances 41% menores de miopia no grupo com maior adesão à dieta mediterrânea, em comparação ao de menor adesão.
Os pesquisadores utilizaram dados coletados entre 2005 e 2008 pelo levantamento americano de saúde e nutrição NHANES. Por se tratar de um estudo transversal, os resultados não permitem concluir que a alimentação tenha causado ou evitado a condição. Também não demonstram que uma mudança na dieta possa reverter a miopia já estabelecida.
O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, ressalta que alimentação e suplementação não devem ser apresentadas como tratamentos isolados para interromper a doença. O acompanhamento oftalmológico continua necessário para avaliar a visão e definir a conduta em cada caso.
Atividades ao ar livre
Além da alimentação, o tempo ao ar livre é estudado como uma estratégia para reduzir o aparecimento da miopia na infância. Um ensaio clínico publicado na revista Ophthalmology mostrou que ampliar esse período reduziu o surgimento da condição, especialmente entre crianças que ainda não eram míopes. Esse benefício não representa uma garantia de impedir a progressão em quem já tem o diagnóstico.
A orientação não significa expor os olhos diretamente ao sol. A Academia Americana de Oftalmologia destaca que atividades externas durante o dia podem ajudar na prevenção, mas também recomenda proteção contra a radiação ultravioleta, que pode danificar estruturas oculares.
Sinais que merecem atenção
Segundo Queiroz Neto, apertar os olhos para enxergar à distância, aproximar-se muito da televisão e apresentar dores de cabeça recorrentes podem indicar a necessidade de avaliação. Dificuldades para acompanhar atividades escolares também merecem atenção, embora possam ter outras causas.
O especialista recomenda pausas durante atividades prolongadas de perto. Uma das orientações é a regra 20/20/20: a cada 20 minutos, olhar por 20 segundos para um ponto a aproximadamente seis metros. A prática busca aliviar o cansaço visual e não deve ser apresentada como uma forma de reverter a miopia.
Para o controle da progressão, Queiroz Neto cita óculos e lentes de contato específicos, além da possibilidade de uso de atropina sob prescrição. A escolha depende da avaliação individual e exige acompanhamento profissional.










