O Espírito Santo deve fechar o ano com a estimativa de 9.750 novos casos de câncer, atingindo 5.560 homens e 4.190 mulheres. O alerta faz parte da publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, divulgada nesta quarta-feira (6) pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Os dados capixabas integram um cenário nacional preocupante: o Brasil deve registrar 781 mil novos casos da doença por ano até 2028. Quando desconsiderados os tumores de pele não melanoma — de alta incidência, porém baixa letalidade —, a projeção nacional é de 518 mil diagnósticos anuais.
Panorama Capixaba e Contexto Regional
No Espírito Santo, a incidência acompanha as características do Sudeste, região apontada pelo estudo como uma das que apresentam as taxas mais elevadas do país, ao lado do Sul. Na divisão por gênero, a prevalência capixaba segue o padrão nacional de diagnósticos:
| Público | Casos Anuais Estimados (ES) | Tipos Mais Frequentes (Ordem de Incidência) |
| Homens | 5.560 | Próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral |
| Mulheres | 4.190 | Mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide |
O câncer de pele não melanoma segue como o mais frequente em ambos os sexos, sendo computado separadamente devido ao seu perfil epidemiológico específico.
Câncer se Aproxima das Doenças Cardiovasculares no País
As projeções do INCA confirmam que o câncer se consolida como uma das maiores causas de adoecimento e morte no Brasil, aproximando-se dos problemas cardiovasculares. Esse cenário é reflexo do envelhecimento populacional, de hábitos de vida e dos desafios históricos no acesso ao diagnóstico e tratamento oportuno.
Nas regiões Sul e Sudeste, destacam-se a incidência de tumores associados ao tabagismo, como os de pulmão e cavidade oral. Em contrapartida, neoplasias com alto potencial de prevenção — como o câncer de colo do útero (evitável com a vacina contra o HPV) e o colorretal — permanecem com altos índices em todo o país.
Planejamento e Vigilância em Saúde
A Estimativa é atualizada a cada três anos pela Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev) do INCA para nortear a alocação de recursos e a oferta assistencial do Sistema Único de Saúde (SUS) em prazos de até cinco anos.
“As estimativas, mais do que estatísticas, demonstram a importância de planejar e executar ações de prevenção, detecção precoce e acesso oportuno ao tratamento”, ressaltou Marcia Sarpa, coordenadora do estudo.
O INCA reforça que as estimativas não devem ser comparadas diretamente com edições anteriores para análise de evolução histórica, pois utilizam novas metodologias estatísticas e refletem a melhoria na qualidade das bases de dados, como os Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP) e o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).
Medidas de Prevenção Recomendadas
Vacinação contra o HPV: Prevenção direta contra o câncer do colo do útero.
Combate ao tabagismo e álcool: Redução de riscos para tumores de pulmão, cavidade oral e outros.
Estilo de vida saudável: Alimentação equilibrada e atividade física regular.
Exames de rotina: O diagnóstico precoce e o rastreamento continuam sendo os fatores determinantes para elevar as chances de cura.










