Para quem depende de hemodiálise, a jornada de tratamento vai muito além do tempo gasto ligado aos filtros de filtragem do sangue. O procedimento, vital para pacientes com insuficiência renal, é fisicamente exaustivo e provoca forte desgaste corporal, com episódios frequentes de queda de pressão, náuseas e cansaço extremo. Por isso, a pontualidade e o conforto no transporte para ir e voltar do hospital são partes fundamentais da assistência à saúde.
Na Serra, no entanto, a apreensão tomou conta dos usuários do transporte sanitário da Prefeitura. Com o anúncio do encerramento do contrato com a empresa responsável pelo serviço até a próxima segunda-feira (7), pacientes temem desassistência ou mudanças nas rotas que prejudiquem a continuidade do tratamento.
A apreensão aumentou após relatos de transtornos registrados na última semana de agosto e primeira semana de setembro. Embora não seja uma situação diária, pacientes têm vivido constantemente longas esperas por causa de quebras nos veículos de transporte. E isso acontece após a sessão de hemodiálise no Vitória Apart Hospital – que dura em média 4 horas.
Nos últimos dias usuários denunciaram a ES Hoje que precisara custear corridas por aplicativo do próprio bolso para conseguir voltar para casa, enquanto outros aguardaram na unidade hospitalar até a chegada de uma solução. O dinheiro é devolvido pela prefeitura da Serra, mas não evita incômodos para quem ficar cerca de quatro horas de tratamento.
“Eu faço hemodiálise e uso o transporte desde que essa empresa assumiu, em 2024. Atrasos, carros quebrando e dificuldade para falar com eles eram constantes. Houve um tempo em que os atrasos eram recorrentes e eles nem atendiam mais a ligação. Pacientes debilitados não podem passar por isso”, relatou um usuário que preferiu não se identificar.
Transição de contrato e garantia do município
De acordo com publicação no Diário Oficial no final de agosto, a Prefeitura da Serra rescindiu o contrato com a empresa responsável e determinou um processo de transição para evitar a paralisação do atendimento. O prazo final para a mudança de empresa é 7 de setembro. Até lá, a atual contratada deve manter a prestação do serviço.
Em resposta às queixas dos usuários e ao encerramento do vínculo, a empresa responsável pelo transporte contestou a rescisão e atribuiu as falhas operacionais a um impasse financeiro com o município.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Saúde da Serra garantiu que o transporte de pacientes continuará funcionando normalmente durante a troca de fornecedores e que os usuários não ficarão sem atendimento. “Não será necessário novo cadastro. A Secretaria possui o controle dos pacientes, rotas e fluxos e adotará as medidas necessárias para garantir a continuidade do serviço, especialmente nos atendimentos prioritários, como hemodiálise e remoções da UPA Serra Sede”, informou a nota oficial do município.
Sobre os incidentes recentes, a administração municipal classificou o caso como uma “situação pontual” de quebra mecânica, afirmando que o veículo foi substituído para concluir os trajetos. A Prefeitura destacou ainda que notificará a empresa para exigir esclarecimentos e que a nova prestadora assumirá o serviço em breve.
A hemodiálise é um tratamento médico que filtra e limpa o sangue para substituir o trabalho dos rins quando eles deixam de funcionar de forma adequada. O procedimento dura em média de 3 a 4 horas por sessão e costuma ser realizado 3 vezes por semana em clínicas especializadas ou hospitais. O tratamento é É essencial para pacientes com insuficiência renal crônica ou aguda grave, nos quais os rins já não conseguem manter o equilíbrio químico do organismo e preservar a vida sem ajuda externa.










