O nascimento de um bebê marca o início de uma série de transformações físicas e emocionais na vida da mulher. Durante o Agosto Dourado, campanha dedicada ao incentivo ao aleitamento materno, especialistas chamam atenção para um tema que também merece espaço nas discussões sobre a saúde materna: a depressão pós-parto e a influência das alterações hormonais nesse período.
Segundo a endocrinologista Gisele Lorenzoni, logo após o parto ocorre uma queda acentuada dos hormônios produzidos durante a gestação, principalmente estrogênio e progesterona. Essas mudanças são esperadas e fazem parte da adaptação do organismo ao puerpério.
“A gravidez é um período marcado por níveis elevados de diversos hormônios. Após o nascimento do bebê, há uma redução rápida principalmente do estrogênio e da progesterona. Essa transição hormonal é fisiológica e participa da reorganização do organismo materno para essa nova fase”, explica a médica.
A especialista ressalta, entretanto, que a depressão pós-parto não pode ser atribuída apenas aos hormônios. Trata-se de uma condição multifatorial, que envolve fatores biológicos, emocionais, psicológicos e sociais.
“As alterações hormonais podem contribuir para mudanças de humor e aumentar a vulnerabilidade de algumas mulheres, mas a depressão pós-parto resulta da interação de diversos fatores. Privação de sono, histórico de transtornos de humor, sobrecarga física e emocional, dificuldades na adaptação à maternidade e falta de rede de apoio também influenciam significativamente”, destaca.
A endocrinologista lembra que é importante diferenciar as oscilações emocionais comuns dos primeiros dias após o parto, conhecidas como baby blues, de um quadro depressivo. “É esperado que muitas mulheres apresentem maior sensibilidade emocional, choro fácil e instabilidade de humor nos primeiros dias após o parto. Quando os sintomas são intensos, persistem por mais tempo ou comprometem o vínculo com o bebê, o autocuidado e as atividades do dia a dia, é fundamental buscar avaliação médica”, orienta.
Outro ponto importante, segundo a especialista, é que algumas alterações hormonais e metabólicas também podem provocar sintomas semelhantes aos da depressão e devem ser investigadas durante a avaliação clínica.
Gisele explica que, em alguns casos, alterações da função da tireoide podem ocorrer no período pós-parto, apresentando manifestações como cansaço intenso, desânimo e alterações de humor. Por isso, cada mulher deve ser avaliada individualmente para que o diagnóstico seja preciso e o tratamento adequado seja iniciado quando necessário.
No contexto do Agosto Dourado, a médica destaca que cuidar da saúde mental da mãe também significa promover um ambiente mais saudável para a amamentação e para o desenvolvimento do bebê.
“A amamentação é um momento importante, mas o bem-estar materno também precisa ser prioridade. Identificar precocemente sinais de sofrimento emocional e oferecer acolhimento e assistência adequada faz parte do cuidado integral à mulher no pós-parto”, conclui a endocrinologista Gisele Lorenzoni.










