Mais da metade dos moradores de Vila Velha diagnosticados com chikungunya durante a maior epidemia da doença registrada no município desenvolveu a forma crônica da infecção. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, 51% dos casos confirmados em 2024 evoluíram com dores persistentes nas articulações e limitação dos movimentos, sintomas que podem permanecer por meses e afetar a rotina dos pacientes.
Em resposta ao cenário, a Secretaria de Saúde capacitou médicos e enfermeiros da Atenção Primária para o atendimento de pessoas que continuam apresentando sintomas após a fase aguda da doença. A iniciativa busca ampliar a identificação precoce dos casos e oferecer tratamento antes que o quadro se agrave.
Vila Velha cria unidades de referência para pacientes com chikungunya
Após a capacitação, 13 Unidades de Saúde passarão a concentrar o acompanhamento de pacientes com dores crônicas decorrentes da chikungunya. As unidades estão localizadas em Praia das Gaivotas, Jaburuna, Ibes, Vila Nova, Paul, Ataíde, Dom João, Vila Garrido, Rio Marinho, São Torquato, Barra do Jucu, Terra Vermelha e Jabaeté.
Os profissionais dessas unidades foram treinados para atender pacientes nas fases pós-aguda e crônica da doença. Também será realizada busca ativa de moradores que tiveram diagnóstico confirmado e continuam com dores nas articulações para agendamento de consultas.
Doença segue em circulação
Embora o número de casos tenha diminuído em relação ao ano passado, a chikungunya continua sendo monitorada no município. Até 27 de junho, Vila Velha havia registrado 60 casos da doença em 2026, com maior concentração na Região 5.
Diagnóstico precoce pode reduzir sequelas
A capacitação foi ministrada pelo infectologista Raphael Lubiana Zanotti, responsável técnico pelas arboviroses da Secretaria de Estado da Saúde, e pela reumatologista Maressa Beloni, do Centro Municipal de Atenção Especializada em Saúde (Cemas).
De acordo com a referência técnica em chikungunya da Vigilância Epidemiológica de Vila Velha, Marcelaine Raphascki Marculano, o objetivo é preparar os profissionais para reconhecer pacientes que permanecem com dores articulares ou apresentam outras manifestações após a infecção.
Segundo ela, o início do tratamento ainda nas fases iniciais da evolução da doença pode ajudar no controle da dor, reduzir o risco de agravamento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes enquanto aguardam, quando necessário, atendimento especializado.










