A alimentação do atacante norueguês Erling Haaland voltou a repercutir durante a Copa do Mundo e se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais. O motivo é a rotina alimentar do jogador, que consome cerca de 6 mil calorias por dia e inclui no cardápio alimentos como leite cru, fígado e coração bovino, além de manter hábitos rigorosos relacionados ao sono e à recuperação física. Apesar da curiosidade despertada entre quem busca melhorar o desempenho esportivo ou adotar uma alimentação considerada mais saudável, especialistas alertam que reproduzir a dieta de um atleta de elite pode representar riscos à saúde.
Segundo a endocrinologista e médica do esporte Gisele Lorenzoni, o primeiro aspecto que precisa ser considerado é o contexto em que essa alimentação está inserida.
“Estamos falando de um atleta profissional, com gasto energético extremamente elevado, rotina intensa de treinamentos e acompanhamento permanente de nutricionistas, médicos, preparadores físicos e outros profissionais. O que funciona para ele dificilmente será adequado para uma pessoa comum”, afirma.
A especialista explica que o elevado consumo calórico atende às necessidades de manutenção da performance, recuperação muscular e preservação da massa magra durante períodos de treinamento intenso.
“Enquanto um atleta pode necessitar de milhares de calorias por dia para sustentar sua rotina, uma pessoa sedentária ou que pratica atividade física de forma recreativa pode desenvolver ganho de peso, aumento da gordura corporal e alterações metabólicas caso tente reproduzir esse padrão alimentar”, ressalta.
Fígado e coração bovino têm nutrientes, mas exigem moderação
Entre os itens da alimentação de Haaland que mais despertaram curiosidade estão o fígado e o coração bovino. De acordo com Gisele Lorenzoni, ambos apresentam elevada densidade nutricional, mas isso não significa que devam ser consumidos em grandes quantidades.
“O fígado é extremamente rico em ferro, vitamina A, vitamina B12 e outros micronutrientes. Já o coração bovino fornece proteínas de alto valor biológico, vitaminas do complexo B e minerais importantes. São alimentos nutritivos, mas isso não significa que devam ser consumidos em excesso”, explica.
A endocrinologista destaca que o fígado merece atenção especial devido à alta concentração de vitamina A.
“O excesso dessa vitamina pode provocar toxicidade ao organismo quando ingerido continuamente em grandes quantidades. Por isso, o ideal é que o consumo seja moderado e faça parte de uma alimentação equilibrada.”
Consumo de leite cru aumenta risco de infecções
Outro hábito adotado pelo atacante que chama a atenção é o consumo de leite cru, sem pasteurização. Para a especialista, essa prática oferece riscos à saúde.
“A pasteurização existe justamente para eliminar microrganismos potencialmente perigosos. Consumir leite cru aumenta o risco de infecções causadas por bactérias como Salmonella, Listeria, Escherichia coli e Brucella. Não há evidências científicas que justifiquem esse risco em busca de supostos benefícios nutricionais”, afirma.
Segundo a médica, as perdas nutricionais provocadas pela pasteurização são mínimas quando comparadas aos benefícios proporcionados pela segurança alimentar.
Desempenho de Haaland vai além da alimentação
A endocrinologista ressalta que o desempenho do atacante não depende apenas dos alimentos presentes no prato.
Além da alimentação, Haaland mantém uma rotina disciplinada, priorizando o sono, controlando a exposição à luz antes de dormir e adotando estratégias voltadas à recuperação física. Esses hábitos, segundo a especialista, também exercem papel importante no rendimento esportivo.
Dieta deve ser individualizada
Para quem pretende emagrecer, ganhar massa muscular ou melhorar a saúde, a médica reforça que não existe uma dieta capaz de atender a todas as pessoas.
“A melhor dieta sempre será aquela construída de forma individualizada, considerando exames laboratoriais, composição corporal, doenças pré-existentes, nível de atividade física e objetivos pessoais. Copiar a rotina alimentar de um atleta de elite pode trazer muito mais prejuízos do que benefícios”, conclui Gisele Lorenzoni.










