Ministério suspende vacina da dengue do Butantan; ES recebeu mais de 10 mil doses

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da estratégia de vacinação com a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, após o registro de episódios de reações adversas graves em pessoas imunizadas. No Espírito Santo, o imunizante já havia começado a ser aplicado em profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), com a entrega de 10.640 doses ao Estado no início deste ano.

A decisão foi anunciada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante coletiva de imprensa. Segundo ele, a interrupção ocorre por medida de precaução após o sistema de vigilância pós-vacinação identificar 42 episódios de reações severas temporalmente associadas à aplicação da vacina Butantan-DV, além de duas mortes sob monitoramento das autoridades sanitárias.

“Nós estamos tomando uma decisão hoje de descontinuar temporariamente a atual estratégia de uso da vacina do Butantan contra a dengue no país”, afirmou o ministro.

A suspensão afeta a vacinação de profissionais da atenção primária em todo o Brasil e interrompe estratégias locais de imunização conduzidas em municípios como Botucatu, em São Paulo, Nova Lima, em Minas Gerais, Ibaranguá, no Ceará, e também na região do Araguaia, no Tocantins.

De acordo com Padilha, aproximadamente 500 mil doses já haviam sido aplicadas quando os primeiros sinais de alerta passaram a ser detectados pelos sistemas de monitoramento.

“Neste meio milhão de doses, foram identificados 42 episódios de reações mais severas temporalmente associadas ao momento em que a vacina foi aplicada. Inclusive, algumas dessas reações foram absolutamente inesperadas, porque não haviam sido observadas nos estudos clínicos realizados antes da aprovação do imunizante”, disse.

Espírito Santo recebeu primeira remessa em fevereiro

No Espírito Santo, a primeira remessa do imunizante nacional contra a dengue chegou em fevereiro deste ano. Ao todo, 10.640 doses da Butantan-DV foram encaminhadas ao Estado e distribuídas às regionais de saúde para retirada pelos municípios da Região Metropolitana.

A estratégia capixaba previa a vacinação de trabalhadores da Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), com idades entre 15 e 59 anos, 11 meses e 29 dias, independentemente de infecção anterior por dengue e sem histórico de vacinação prévia com outro imunizante contra a doença.

A previsão do governo estadual era imunizar 25.114 profissionais da APS no Espírito Santo.

Até o momento, o Ministério da Saúde não detalhou quantas doses já foram efetivamente aplicadas no território capixaba nem informou se haverá recolhimento dos lotes distribuídos.

Reações não haviam aparecido em estudos clínicos

Segundo o Ministério da Saúde, alguns dos efeitos adversos observados após a aplicação não haviam sido identificados nos estudos clínicos de fases 1, 2 e 3 realizados antes da autorização da vacina. Os testes envolveram aproximadamente 11 mil participantes.

A pasta reforçou que a suspensão tem caráter preventivo e deve permanecer até a conclusão das investigações conduzidas pelas equipes de vigilância epidemiológica e segurança em imunização.

Espírito Santo soma mais de 88 mil notificações de dengue

O anúncio ocorre em meio ao cenário ainda preocupante da dengue no Espírito Santo. Dados estaduais apontam que, ao longo de 2025, foram notificados 88.747 casos da doença. Deste total, 32.001 foram confirmados, com registro de dois óbitos.

O volume de notificações mantém a dengue entre os principais desafios de saúde pública no Estado, especialmente em municípios da Grande Vitória e do interior capixaba, historicamente afetados pela circulação do mosquito Aedes aegypti.

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