Inverno eleva risco de infartos, AVCs e doenças respiratórias; especialistas alertam para cuidados

A chegada do inverno, que começa oficialmente neste sábado (21), traz consigo não apenas temperaturas mais baixas, mas também um aumento nos casos de doenças cardiovasculares e respiratórias. Especialistas alertam que o frio pode agravar condições crônicas e favorecer a ocorrência de problemas graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), pneumonia e crises de asma e bronquite.

De acordo com o Ministério da Saúde, os atendimentos por eventos cardiovasculares podem aumentar em até 30% durante os meses mais frios do ano. A explicação está nas alterações que as baixas temperaturas provocam no organismo.

Segundo o cardiologista Rafael Altoé, o frio causa a contração dos vasos sanguíneos, elevando a pressão arterial e aumentando o esforço exigido do coração.

“O frio provoca a contração dos vasos sanguíneos, o que aumenta a pressão arterial e o esforço do coração. Em pessoas que já têm fatores de risco, como hipertensão, colesterol elevado ou diabetes, isso pode ser o gatilho para um infarto ou um AVC”, explica.

O médico ressalta que idosos e pessoas com histórico de doenças cardíacas precisam redobrar a atenção durante esta época do ano. Entre as recomendações estão o controle rigoroso da pressão arterial, dos níveis de glicose e colesterol, além da manutenção do tratamento prescrito.

Outro fator que preocupa os especialistas é a redução da ingestão de líquidos. Com a sensação de sede diminuída nos dias frios, muitas pessoas acabam ingerindo menos água.

“Longos períodos sem ingestão de líquido podem contribuir para um cenário em que o sangue fica mais espesso. Por isso, é importante não descuidar da hidratação”, alerta Altoé.

Inverno eleva risco de infartos, AVCs e doenças respiratórias; especialistas alertam para cuidados
Rafael Altoé – Foto: divulgação

Vírus respiratórios e ambientes fechados aumentam risco de infecções

Além dos problemas cardiovasculares, o inverno também favorece a disseminação de doenças respiratórias. A maior circulação de vírus como influenza e vírus sincicial respiratório (VSR), associada à permanência em ambientes fechados e pouco ventilados, contribui para o aumento das infecções, especialmente entre crianças e idosos.

A pneumologista Luiza Tatagiba destaca que o período é particularmente delicado para pacientes com doenças pulmonares crônicas.

“O inverno é um período crítico para pacientes com doenças pulmonares crônicas, como a asma. O ar seco e frio irrita as vias aéreas, favorecendo crises e infecções respiratórias”, afirma.

A médica também chama a atenção para os pacientes que sofrem com rinite alérgica. Segundo ela, o agravamento desse quadro pode desencadear outras complicações respiratórias.

“Para esses pacientes, é interessante realizar lavagens nasais com soro fisiológico e manter as medicações indicadas pelo médico”, orienta.

Inverno eleva risco de infartos, AVCs e doenças respiratórias; especialistas alertam para cuidados
Luiza Tatagiba – Foto: divulgação

Medidas simples ajudam a prevenir complicações

Especialistas destacam que algumas medidas podem reduzir significativamente os riscos à saúde durante o inverno. Entre elas estão manter a vacinação atualizada, evitar exposição prolongada ao frio intenso, garantir a ventilação dos ambientes e reforçar a higiene das mãos.

Também é importante manter hábitos saudáveis ao longo da estação, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do estresse.

Altoé ressalta ainda que sintomas de um infarto podem ser confundidos com desconfortos comuns do período, o que pode atrasar a busca por atendimento.

“Muitas vezes, a dor no peito ou o mal-estar típico de um infarto é confundido com situações comuns dessa época do ano. Por isso, é fundamental procurar ajuda médica ao menor sinal de alerta”, afirma.

Com a chegada do período mais frio do ano, a orientação dos especialistas é que a população esteja atenta aos sinais do corpo e mantenha os cuidados preventivos em dia para evitar complicações que podem exigir atendimento de urgência.

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