Considerada uma das alterações hepáticas mais frequentes no mundo, a gordura no fígado, ou esteatose hepática, pode permanecer silenciosa por muitos anos e só ser descoberta durante exames de rotina. Apesar de ser comum, a condição exige atenção, pois, quando não acompanhada e tratada, pode evoluir para complicações graves, como cirrose, câncer de fígado e aumento do risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Segundo Mariana Pacheco, gastroenterologista da Rede Meridional, a doença é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura dentro das células do fígado. “Embora muitas pessoas achem normal ter gordura no fígado, em alguns casos ela pode evoluir para um processo inflamatório chamado esteato-hepatite. Com o tempo, essa inflamação pode provocar fibrose, cirrose e até câncer de fígado”, alerta.
A especialista explica que a esteatose hepática tem diversas causas, sendo as mais comuns o excesso de peso, a obesidade, o diabetes tipo 2, alterações no colesterol e nos triglicerídeos, resistência à insulina e o sedentarismo. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas, fatores genéticos, alguns medicamentos e doenças metabólicas também podem favorecer o desenvolvimento da condição.
Um dos maiores desafios é justamente a ausência de sintomas nas fases iniciais da doença. “Na maioria dos casos, a gordura no fígado é silenciosa. Frequentemente, o diagnóstico acontece por acaso, durante uma ultrassonografia abdominal ou em exames de sangue que mostram alterações nas enzimas hepáticas”, explica Mariana.
Ela ressalta que pessoas com obesidade abdominal, diabetes, hipertensão arterial ou colesterol elevado precisam manter acompanhamento médico regular, mesmo quando se sentem bem, já que esses fatores aumentam significativamente o risco de desenvolver a doença.
Quando os sintomas aparecem, geralmente a doença já está em estágio mais avançado. Nesses casos, podem surgir sinais como aumento do volume abdominal, pele e olhos amarelados, perda de massa muscular e retenção de líquidos, indicando comprometimento importante da função hepática.
Além dos riscos para o fígado, a esteatose hepática também está relacionada ao aumento da incidência de doenças cardiovasculares. “Hoje sabemos que pacientes com gordura no fígado apresentam maior risco de infarto e AVC, que são, inclusive, as principais causas de morte nesse grupo”, destaca Mariana.
A prevenção passa, principalmente, pela adoção de hábitos saudáveis. Manter o peso adequado, praticar atividade física regularmente, seguir uma alimentação equilibrada, controlar doenças como diabetes e colesterol elevado e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, açúcares e gorduras saturadas são medidas fundamentais para proteger a saúde do fígado e evitar a progressão da doença.









