A endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo, o que representa mais de 190 milhões de pessoas, segundo estimativas de organizações de saúde. No Brasil, a doença também é considerada um importante problema de saúde pública, especialmente devido ao diagnóstico tardio, que pode levar anos para ser confirmado.
Caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, a endometriose pode provocar dores intensas, comprometer a qualidade de vida e impactar diretamente a fertilidade feminina. Estima-se que entre 30% e 50% das mulheres diagnosticadas com a condição enfrentem algum grau de infertilidade.
De acordo com a médica ginecologista e docente do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Dra. Nataly Campos, a doença pode causar inflamações, aderências e alterações nos órgãos reprodutivos, dificultando a fecundação e reduzindo as chances de uma gestação espontânea.
Sintomas da endometriose vão além das cólicas menstruais
Embora a dor pélvica seja considerada o sintoma mais característico da doença, a endometriose pode se manifestar de diversas formas e, muitas vezes, os sinais são subestimados pelas pacientes.
Entre os principais sintomas estão:
- Cólicas menstruais intensas;
- Dor durante as relações sexuais;
- Dor pélvica crônica, mesmo fora do período menstrual;
- Dor nos membros inferiores, especialmente na perna esquerda;
- Alterações intestinais ou urinárias durante o ciclo menstrual;
- Fadiga crônica e cansaço excessivo.
A especialista ressalta que a intensidade da dor nem sempre está relacionada à gravidade da doença.
“Pequenas lesões de endometriose podem causar dores incapacitantes, dependendo da localização na pelve e no abdome, enquanto lesões mais extensas podem, em casos raros, não apresentar sintomas”, explica a Dra. Nataly.
Diagnóstico tardio é um dos principais desafios
Segundo a ginecologista, um dos maiores obstáculos para o tratamento adequado continua sendo o atraso no diagnóstico.
“Muitas mulheres normalizam cólicas intensas e acabam demorando para procurar atendimento médico. Quando a endometriose é identificada, em muitos casos já está em estágio avançado, o que pode reduzir as chances de uma gravidez natural”, alerta.
Por isso, especialistas reforçam a importância de investigar dores menstruais incapacitantes e outros sintomas persistentes, evitando que a doença avance sem tratamento.
Tratamento pode preservar a fertilidade
Apesar dos desafios, o acompanhamento médico especializado pode contribuir para o controle da doença e para a preservação da fertilidade.
O tratamento inicial costuma incluir terapias hormonais, como anticoncepcionais orais combinados, progestagênios, dispositivos intrauterinos hormonais (DIU) e análogos do GnRH. O objetivo é interromper a menstruação e reduzir a atividade inflamatória provocada pela endometriose.
Nos casos mais graves, especialmente quando há comprometimento de órgãos como intestino e bexiga ou dores intensas, pode ser indicada cirurgia por videolaparoscopia, considerada uma técnica minimamente invasiva para remoção das lesões e restauração da anatomia pélvica.
Para mulheres que desejam engravidar e enfrentam dificuldades relacionadas à doença, a fertilização in vitro (FIV) surge como uma importante alternativa.
“Após o tratamento clínico ou cirúrgico e a melhora do ambiente pélvico, técnicas de reprodução assistida podem aumentar significativamente as chances de gestação”, destaca a médica.
Informação e diagnóstico precoce fazem a diferença
A Dra. Nataly reforça que cada paciente deve ser avaliada individualmente, já que o tratamento varia conforme a idade, os sintomas, o estágio da doença e o desejo de engravidar.
“Existem opções que vão desde o controle clínico até procedimentos cirúrgicos e técnicas de reprodução assistida, capazes de melhorar a qualidade de vida e aumentar as chances de gravidez”, afirma.
Para a especialista, ampliar o acesso à informação e ao diagnóstico precoce é fundamental para reduzir os impactos da endometriose.
“Identificar os sintomas precocemente pode fazer a diferença não apenas na qualidade de vida, mas também na realização do desejo de se tornar mãe”, conclui a ginecologista.









