A chegada das estações mais frias do ano costuma trazer um aumento nos casos de doenças respiratórias. Em 2026, no entanto, o avanço dessas infecções começou antes mesmo do inverno. Dados divulgados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontaram, ainda em abril, crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em diversas regiões do país.
Entre os grupos mais vulneráveis estão as crianças, que apresentam maior suscetibilidade à circulação de vírus respiratórios. Segundo especialistas, fatores como o sistema imunológico ainda em desenvolvimento e a convivência prolongada em ambientes fechados favorecem a transmissão de doenças nessa faixa etária.
De acordo com a médica e professora da pós-graduação em Pediatria da Afya Brasília, Isabela Pires, o ambiente escolar contribui para o aumento do risco de contaminação.
“Por estarem em contato com outras crianças por períodos maiores que quatro horas no mesmo ambiente e com menor circulação de ar nas salas durante o frio, as crianças acabam tendo uma sensibilidade maior aos vírus, principalmente aquelas com imunidade mais baixa”, explica.
A especialista alerta que sintomas inicialmente considerados leves podem evoluir rapidamente. Segundo ela, quadros de coriza, tosse e cansaço podem se agravar em poucas horas e exigir atendimento hospitalar.
“Coriza, tosse leve e cansaço podem passar de um quadro leve para moderado em questão de 12 a 24 horas, podendo sair de um tratamento domiciliar para a necessidade de internação e monitoramento hospitalar”, afirma.
Entre os sinais de alerta que exigem avaliação médica estão febre persistente, dificuldade para respirar, chiado no peito, sonolência excessiva e recusa alimentar, especialmente em crianças pequenas ou com histórico de doenças respiratórias.
Frio favorece circulação dos vírus
O médico e professor de otorrinolaringologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, Alexandre Martins, explica que as condições climáticas típicas do outono e do inverno favorecem a disseminação dos agentes infecciosos.
“No frio e na baixa umidade, os vírus sobrevivem mais tempo no ar e se espalham com mais facilidade. As partículas virais permanecem suspensas por mais tempo, aumentando o risco de transmissão, principalmente entre as crianças”, destaca.
Segundo o especialista, o ressecamento das vias respiratórias também reduz a capacidade de defesa natural do organismo.
“O ar frio e seco resseca a mucosa do nariz e da garganta, que funciona como a primeira barreira de defesa do corpo. Com essa proteção reduzida, os vírus entram com mais facilidade. Em ambientes fechados e mal ventilados, o risco é ainda maior”, afirma.
Medidas simples ajudam na prevenção
Especialistas destacam que alguns cuidados adotados no dia a dia podem reduzir significativamente o risco de infecções respiratórias.
A ventilação dos ambientes, a higienização frequente das mãos, a limpeza das vias respiratórias com soro fisiológico e a manutenção de uma boa hidratação estão entre as principais recomendações.
Além disso, manter o calendário vacinal atualizado continua sendo uma das estratégias mais eficazes para prevenir complicações causadas por vírus e bactérias.
“A prevenção envolve manter a vacinação em dia, tanto para doenças virais quanto bacterianas. As consultas regulares com o pediatra também são importantes para avaliar a necessidade de vitaminas ou outras medidas que possam ajudar na saúde da criança”, ressalta Isabela Pires.
Cuidados para reduzir o risco de doenças respiratórias:
- Manter a vacinação atualizada, incluindo a vacina contra a gripe quando indicada;
- Incentivar a ingestão de água ao longo do dia;
- Reforçar a higiene frequente das mãos;
- Ventilar os ambientes diariamente;
- Higienizar o nariz com soro fisiológico;
- Priorizar uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes;
- Procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes ou sinais de agravamento.










