As cardiopatias congênitas, grupo de malformações que afeta cerca de 10 bebês a cada mil nascidos vivos no Brasil, estiveram em destaque na última sexta-feira (12), data marcada pelo Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita. No Espírito Santo, o Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha, disponibiliza exames capazes de identificar precocemente a condição, aumentando as chances de tratamento e melhor qualidade de vida para as crianças.
Referência estadual em cardiologia pediátrica, o Himaba oferece o ecocardiograma fetal, exame que pode diagnosticar até 97% das cardiopatias congênitas ainda durante a gestação. Somente em 2025, a unidade realizou 220 ecocardiogramas fetais e 6.323 testes do coraçãozinho, procedimentos fundamentais para a detecção precoce de anomalias cardíacas.
Segundo a coordenadora da Cardiologia Pediátrica do hospital, a médica Danielle Lopes Rocha, o diagnóstico antecipado é essencial para o sucesso do tratamento.
“O ecocardiograma tem papel absolutamente central, sendo ferramenta indispensável para o diagnóstico precoce, a definição terapêutica, o acompanhamento clínico e a adequada indicação cirúrgica das cardiopatias congênitas”, destacou.
A ecocardiografia fetal é recomendada entre a 20ª e a 28ª semana de gestação. O exame permite identificar alterações cardíacas ainda no período intrauterino, possibilitando o planejamento da assistência médica antes mesmo do nascimento.
Além do ecocardiograma fetal, a rede pública de saúde conta com o Teste do Coraçãozinho, realizado em recém-nascidos com mais de 34 semanas de idade gestacional, preferencialmente entre 24 e 48 horas após o parto. O exame integra a triagem neonatal do Sistema Único de Saúde (SUS) e é capaz de detectar precocemente cardiopatias graves, reduzindo o número de diagnósticos tardios e o risco de complicações que podem levar à morte nos primeiros dias de vida.
Principais causas
De acordo com Danielle Lopes Rocha, as anomalias cardíacas estão entre as malformações congênitas mais frequentes e representam uma importante causa de morbidade e mortalidade infantil.
As causas podem estar relacionadas tanto a fatores ambientais quanto genéticos. Entre os fatores ambientais, estão a exposição do embrião a agentes químicos, infecções e doenças maternas durante a gestação. Já as causas genéticas incluem anomalias cromossômicas, doenças monogênicas e condições de herança multifatorial.
A especialista reforça que a identificação precoce das cardiopatias congênitas é determinante para a adoção das condutas médicas adequadas e para a redução dos riscos associados à doença, contribuindo para melhores resultados no tratamento e no desenvolvimento das crianças.









