O Governo do Espírito Santo anunciou a criação do Instituto Capixaba de Atenção ao Diabetes e à Obesidade (Icado), novo centro estadual voltado ao atendimento especializado de pacientes com diabetes e obesidade. O anúncio foi feito durante reunião da Frente Parlamentar de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Diabetes, presidida pelo deputado estadual Fabrício Gandini, após cobranças de pacientes, familiares e representantes da Associação de Diabéticos do Espírito Santo e Amigos (Adies) por ampliação do acesso a especialistas e tecnologias de tratamento.
Segundo dados apresentados durante o encontro, cerca de 36 mil pessoas vivem atualmente com diabetes tipo 1 no Espírito Santo, mas apenas 1,4% têm acesso ao sensor de glicose e somente 0,7% utilizam bomba de insulina fornecida pelo poder público.
O novo instituto será implantado no Centro Regional de Especialidades (CRE) Metropolitano, em Cariacica, ainda sem data definida. A estrutura deverá concentrar atendimento clínico especializado, exames, acompanhamento multidisciplinar e suporte integrado aos pacientes.
A chefe da Gerência de Políticas e Organização das Redes de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Franciele da Costa, afirmou que o projeto-piloto está em fase final de estruturação. Segundo ela, a proposta surge diante do aumento de internações hospitalares, infartos e acidentes vasculares cerebrais relacionados à doença. “Estamos sensíveis à necessidade de estruturar um equipamento, que seja um centro de referência, através de um atendimento clínico especializado voltado para as pessoas com diabetes”, declarou.
A escolha do CRE Metropolitano ocorreu devido à estrutura já existente no local, que reúne especialidades como cardiologia e oftalmologia, consideradas estratégicas no acompanhamento de complicações do diabetes. A previsão é que o Icado também conte com endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais.
Durante a reunião, Gandini afirmou que o anúncio representa um avanço nas discussões conduzidas pela frente parlamentar. “O sensor de glicose é um educador. Eu sou diabético tipo 2 e sei o quanto essa tecnologia muda a vida da pessoa. Precisamos separar quem tem diabetes tipo 1 nas políticas públicas, porque não priorizar esse público gera custos muito maiores para o Estado e sofrimento para as famílias”, disse.
A diretora da Adies, Lorena Bucher, apresentou dados sobre o acesso limitado às tecnologias de tratamento e relatou que, nos últimos três anos, cinco crianças e adolescentes de até 16 anos morreram no Estado em decorrência de complicações relacionadas ao diabetes. “Vários pais e mães entraram na Justiça para garantir esses insumos. É um problema sério. Falta até treinamento”, afirmou.
A gerente estadual de Assistência Farmacêutica da Sesa, Graziele Massariol, reconheceu a necessidade de ampliação da assistência especializada. “Não adianta fornecer o insumo se a gente não tem um médico especialista para acompanhar aquele paciente. Não adianta trabalhar só o fornecimento de um medicamento ou insumo se eu não estou trabalhando a educação e a saúde, o cuidado”, declarou.
Segundo Graziele, atualmente 581 pacientes recebem sensores de glicose por meio de cinco Farmácias Cidadãs no Espírito Santo, enquanto outros 223 utilizam bombas de insulina. A prioridade de atendimento é destinada a crianças e gestantes, com prazo médio de 13 dias para resposta aos pedidos padronizados.
Relatos de pacientes também marcaram a reunião. A estudante Eduarda Tomaz de Sousa Barros, de 16 anos, diagnosticada com diabetes aos 2 anos, descreveu os impactos da doença no cotidiano. “É frustrante, desesperador saber que, se eu não cuidar da minha doença, eu posso perder a minha perna, minha visão. Afeta muito meu psicológico”, relatou.
Ao final do encontro, Gandini afirmou que continuará acompanhando a implantação do instituto e cobrando a ampliação do acesso aos equipamentos utilizados no tratamento do diabetes tipo 1.









