ES registrou mais de mil óbitos por influenza, pneumonia e coronavírus

No Espírito Santo, 1.397 pessoas morreram por influenza e pneumonia em 2025, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. No mesmo período, o estado também registrou 36 mortes por infecções por coronavírus. Embora envolvam doenças diferentes, os números reforçam a importância de uma medida simples, mas essencial dentro e fora das instituições de saúde: a higienização correta das mãos.

Pode parecer um gesto básico, mas lavar as mãos da forma adequada continua sendo uma das formas mais eficazes de reduzir a transmissão de vírus, bactérias e outros microrganismos. A prática é considerada fundamental para proteger pacientes, profissionais de saúde e a população em geral.

Em todo o país, os dados também mostram a dimensão do problema. Em 2025, foram registrados 105.873 óbitos por influenza e pneumonia no Brasil. As infecções por coronavírus somaram 2.550 mortes no mesmo período.

A falta de higienização adequada das mãos é um fator importante na transmissão de doenças. Além da influenza e da pneumonia, mãos contaminadas também podem contribuir para a disseminação de infecções como conjuntivite, catapora, hepatite A, diarreias e outras doenças.

Segundo a infectologista e consultora da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Cláudia Vidal, o cuidado deve ser incorporado à rotina, principalmente em ambientes de assistência à saúde.

“Este simples gesto pode reduzir em até 40% o risco de infecções, como gripe, diarreia e conjuntivite”, afirma.

 

Infecções hospitalares ainda são desafio

Apesar de evitáveis, as infecções relacionadas à assistência à saúde, conhecidas como IRAS, continuam sendo um problema global. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que até 30% dos pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) podem ser afetados por esse tipo de infecção.

Em países de baixa e média renda, o risco é ainda maior. A cada 100 pacientes internados, até 15 podem desenvolver infecções, segundo a OMS. A situação tende a ser mais crítica nas UTIs, onde os pacientes estão mais vulneráveis e frequentemente utilizam dispositivos invasivos, como cateteres e ventilação mecânica.

A previsão também preocupa. Estimativas internacionais indicam que, até 2050, infecções resistentes a tratamentos podem provocar milhões de mortes por ano no mundo, caso medidas de prevenção e controle não sejam fortalecidas.

 

Brasil avança, mas risco permanece alto

No Brasil, dados mais recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 2024, indicam melhora em alguns indicadores de incidência de infecções relacionadas à assistência à saúde. Ainda assim, o risco permanece elevado.

O relatório aponta que a maior parte das infecções de corrente sanguínea ocorre dentro das UTIs. A densidade de incidência chega a 3,5 casos por mil cateteres venosos centrais-dia em UTIs adultas. Nas UTIs neonatais, o índice sobe para 6,1 casos.

A pneumonia associada à ventilação mecânica também segue entre as infecções mais frequentes nesses ambientes. As taxas podem chegar a 9,4 casos por mil ventiladores mecânicos-dia.

 

Impacto também é financeiro

Além do risco à saúde dos pacientes, as infecções também geram impacto financeiro para os sistemas de saúde. Pacientes com infecção podem representar custos até 55% maiores no Brasil, devido ao aumento no tempo de internação, necessidade de medicamentos, exames e cuidados especializados.

Em outros países, o impacto também é expressivo. Nos Estados Unidos, os custos associados a essas infecções passam de US$ 40 bilhões por ano. Na Europa, chegam a cerca de € 7 bilhões anuais.

 

Uso inadequado de antibióticos preocupa

Outro ponto de alerta é a resistência aos antimicrobianos, provocada, entre outros fatores, pelo uso inadequado de antibióticos. Quando esses medicamentos são utilizados sem necessidade, em dose incorreta ou por tempo inadequado, bactérias podem se tornar resistentes, dificultando o tratamento de infecções.

“O uso inadequado de antibióticos pode implicar em resistência bacteriana, maior risco de efeitos colaterais e gerar custos desnecessários para o sistema de saúde”, ressalta Cláudia Vidal.

Segundo a OMS, infecções resistentes a medicamentos podem causar até 10 milhões de mortes por ano até 2050, caso o problema não seja enfrentado com medidas eficazes de prevenção, controle e uso racional de antibióticos.

No Brasil, dados da Anvisa mostram que ainda há desafios na implantação de programas voltados ao uso racional desses medicamentos. Entre 153 serviços de saúde analisados, pouco mais da metade, 52,7%, possuía Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos implantado.

Por outro lado, o monitoramento dentro das UTIs já é mais frequente. Nas unidades adultas, 95,6% das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar acompanham o uso de antibióticos. Nas UTIs pediátricas, o percentual chega a 82,8%.

 

Prevenção começa por medidas simples

Diante da alta incidência de infecções relacionadas à assistência à saúde e do avanço da resistência aos antimicrobianos, especialistas reforçam que medidas simples continuam sendo essenciais para proteger pacientes e salvar vidas.

Entre elas, a higienização correta das mãos é uma das principais. A prática deve ser feita com água e sabão ou preparação alcoólica adequada, especialmente antes e depois do contato com pacientes, após uso do banheiro, antes das refeições e sempre que houver risco de contaminação.

Para a infectologista, fortalecer as medidas de prevenção deve ser prioridade dentro das instituições de saúde.

“Fortalecer as medidas de prevenção de infecções é imprescindível, em especial a higiene das mãos de forma adequada e oportuna, estratégias essas fundamentais para proteger os pacientes e salvar vidas”, finaliza Cláudia Vidal.

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