5 medidas para mulheres evitarem doenças cardiovasculares; óbitos no ES cresceram 16,5%

As doenças cardiovasculares estão avançando entre as mulheres capixabas e acendem um alerta para especialistas da área de saúde. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mostram que as mortes femininas provocadas por problemas cardíacos cresceram cerca de 16,5% entre 2021 e 2025 no Espírito Santo, passando de 3.341 para 3.894 óbitos.

O aumento também aparece nas internações. No mesmo período, os registros hospitalares relacionados a doenças cardiovasculares tiveram alta de aproximadamente 22%.

Entre as principais causas de morte estão o infarto agudo do miocárdio, a doença cardíaca hipertensiva e o infarto cerebral. Somente em 2024, o infarto foi responsável pela morte de 1.038 mulheres no Estado, tornando-se a principal causa de mortalidade cardiovascular feminina.

O crescimento dos casos preocupa especialistas porque muitas mulheres ainda demoram a procurar atendimento ou não reconhecem os sinais de um problema cardíaco.

Segundo o professor do Departamento de Ciências Fisiológicas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), José Geraldo Mill, a ideia de que infarto é uma doença predominantemente masculina continua influenciando diagnósticos e comportamentos.

“Até os anos 70, a cada cinco infartos, quatro aconteciam em homens. Hoje essa diferença diminuiu muito. O problema é que a saúde cardiovascular das mulheres talvez ainda não esteja recebendo a atenção necessária”, afirma.

Outro desafio é que os sintomas femininos costumam ser menos evidentes. Enquanto o modelo clássico do infarto envolve forte dor no peito, muitas mulheres apresentam náuseas, vômitos, falta de ar, mal-estar, dores nas costas ou desconfortos digestivos, o que frequentemente atrasa o diagnóstico.

O cardiologista e referência técnica cardiovascular da Sesa, Werther Mônico Rosa, alerta que esse atraso reduz as chances de sucesso do tratamento.

“Quando o diagnóstico acontece muitas horas depois do início dos sintomas, a mortalidade aumenta e os benefícios das intervenções diminuem”, explica.

As 5 principais orientações dos especialistas para proteger o coração feminino

Diante do aumento dos casos, cardiologistas brasileiros e entidades internacionais de referência em saúde cardiovascular reforçam medidas consideradas fundamentais para reduzir o risco de infarto, AVC e outras doenças cardíacas.

1. Investigue fatores de risco antes dos sintomas aparecerem

José Geraldo Mill defende que a avaliação cardiovascular das mulheres não deve começar apenas após os 50 anos.

Segundo ele, pressão alta, colesterol elevado, diabetes e histórico familiar precisam ser investigados já a partir dos 25 anos, principalmente em pacientes com parentes que tiveram infarto precoce.

2. Não ignore sinais considerados “atípicos”

Náuseas, fadiga intensa, falta de ar, suor frio, dor nas costas, no pescoço ou na mandíbula podem indicar infarto em mulheres, mesmo sem a clássica dor intensa no peito. Especialistas da American Heart Association alertam que esses sintomas costumam ser confundidos com ansiedade, gastrite ou exaustão.

3. Controle pressão arterial, diabetes e colesterol

A hipertensão continua sendo um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares femininas. O acompanhamento regular na atenção básica e o tratamento correto dessas condições reduzem significativamente o risco de eventos graves.

4. Faça atividade física regularmente

A American Heart Association recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos de exercícios mais intensos. A prática ajuda a controlar peso, pressão arterial, glicemia e níveis de colesterol.

5. Cuide do sono, do estresse e abandone o cigarro

Segundo Werther Mônico Rosa, fatores como estresse crônico, dupla jornada de trabalho, sedentarismo e tabagismo aumentam os riscos cardiovasculares femininos. O cigarro tradicional e o eletrônico aparecem entre os principais comportamentos associados ao adoecimento cardíaco. A interrupção do tabagismo está entre as medidas mais eficazes para prevenção.

Mulheres jovens também entram no radar

Embora a maioria das mortes esteja concentrada entre mulheres acima dos 80 anos, especialistas observam um crescimento preocupante de casos entre pacientes de 30 a 50 anos.

Além dos fatores tradicionais, algumas condições exclusivamente femininas também elevam os riscos cardiovasculares. Entre elas estão a pré-eclâmpsia durante a gravidez, a menopausa precoce e a síndrome dos ovários policísticos.

Estudos internacionais apontam que essas condições podem aumentar a probabilidade de hipertensão, alterações metabólicas e eventos cardiovasculares ao longo da vida.

Tempo continua sendo decisivo

Tanto para infarto quanto para AVC, os especialistas reforçam que reconhecer rapidamente os sintomas pode ser a diferença entre a recuperação e a morte.

“O Estado possui estrutura e equipes capacitadas para o atendimento cardiovascular. O principal desafio continua sendo fazer com que a paciente reconheça os sinais e procure ajuda rapidamente”, afirma Mill.

Para os médicos, a combinação entre prevenção, acompanhamento regular e conhecimento dos sintomas ainda é a principal estratégia para reduzir a mortalidade cardiovascular feminina nos próximos anos.

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